A polícia apreendeu mais de 7 mil perfumes falsificados em dois galpões localizados na Zona Leste de São Paulo. Os frascos, já prontos para envio e entrega, imitavam marcas famosas e eram comercializados tanto na capital quanto no interior do estado, em uma operação que revelou um grande estoque de produtos irregulares.
Segundo a investigação, os dois locais ficavam a poucos metros um do outro e eram controlados pelo mesmo homem. A proximidade entre os galpões e o comando único da operação reforçam a dimensão do esquema de falsificação que abastecia o mercado com produtos que copiavam grifes conhecidas.
De acordo com as autoridades, o responsável deverá responder por crime contra a propriedade industrial, bem como por crime contra a saúde pública, caso seja constatada a nocividade do produto. A dupla acusação mostra que o caso vai além da simples cópia de marcas e envolve riscos diretos para quem usa os perfumes.
A apuração indica que a maior parte desses perfumes falsificados chega ao consumidor pela internet. Os anúncios circulam nas redes sociais e chamam a atenção justamente pelos preços bem abaixo do valor de mercado, atraindo compradores que muitas vezes não desconfiam da origem duvidosa da mercadoria.
Sem saber, o consumidor acaba levando para casa um produto de origem desconhecida e coloca a própria saúde em risco. Conforme alertado no caso, o perfume falsificado pode utilizar diversas substâncias altamente nocivas, capazes de causar erupções de pele, processos alérgicos, problemas respiratórios e outros quadros graves.
Os números do setor ajudam a dimensionar o problema. De acordo com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação, o Brasil perdeu mais de 500 bilhões de reais em 2025 com falsificação, contrabando e pirataria, sendo que somente o mercado de perfumes registrou um prejuízo de quase 23 bilhões de reais.
Mais da metade dos perfumes falsificados vendidos no país vem da China e do Paraguai, entrando pelos portos e pelas estradas nas fronteiras, enquanto o restante é produzido em fábricas clandestinas. No ano passado, 34 desses locais foram fechados, e, nesta última operação, a polícia ainda quer descobrir a origem da mercadoria apreendida.
