A Polícia Civil de Goiás prendeu um jovem de 19 anos, identificado como Gabriel de Oliveira, suspeito de extorquir e monitorar uma adolescente pela internet. Ele foi detido em Paiçandu, no interior do Paraná, enquanto se preparava para pegar o ônibus que o levaria à faculdade de economia, embora a vítima morasse em Rio Verde, em Goiás, a quase 800 quilômetros de distância.
De acordo com a investigação, os dois se conheceram em uma rede social, e as mensagens logo evoluíram para agressões virtuais. Segundo a polícia, o suspeito invadiu o celular da adolescente, teve acesso ao conteúdo do aparelho e passou a monitorar a menina, exercendo um controle emocional e psicológico mesmo a grande distância.
Parte desse domínio era feita por meio de aplicativos de acesso remoto que ele coagia a vítima a instalar. Entre eles estava um aplicativo legítimo de controle parental, que o jovem utilizava de forma distorcida para acompanhar a adolescente em tempo real, acessar a tela do celular dela e identificar a sua localização, garantindo que ela cumprisse as condutas que ele exigia.
Em uma das mensagens, o suspeito ordenou que a vítima ligasse a câmera, sob a ameaça de que ela e a família estariam em perigo caso não obedecesse. Ele também chegou a pedir uma transferência em moedas virtuais. Segundo a polícia, mesmo sem a confirmação dessas transferências, o crime de extorsão já se configura pelo constrangimento imposto à vítima, independentemente da obtenção da vantagem.
Para convencer a adolescente a cumprir os chamados desafios, o jovem dizia que iria divulgar uma foto íntima dela, o que era mentira. Com medo, a menina chegou a enviar uma foto verdadeira para provar que a imagem usada como ameaça não era dela. A partir daí, com o registro real em mãos, o suspeito passou a aumentar ainda mais as ameaças.
As conversas se estenderam por cerca de três meses, até que o pai da adolescente percebeu um comportamento estranho na filha e procurou a polícia. Ele notou que a menina passou a se afastar dos familiares, ficou mais reclusa, teve queda no rendimento escolar, algo que não era característico dela, e apresentava possíveis lesões que indicavam automutilação.
O relatório da investigação aponta ainda que o suspeito colecionava imagens com apologia ao nazismo e fotos de autores de massacres, como o ataque de Oslo, na Noruega, que deixou mais de 90 mortos. Aparelhos eletrônicos foram apreendidos e passarão por perícia. As autoridades reforçam um alerta: no Brasil, uma em cada cinco crianças e adolescentes já sofreu algum tipo de violência sexual na internet, e a mudança de comportamento costuma ser o principal sinal para os pais.
