A polícia de São Paulo rastreou uma quadrilha especializada em invasões a residências de luxo. As ações eram sempre violentas e feitas com armas de grosso calibre. Os criminosos invadiam casas de alto padrão na capital paulista. O grupo era considerado a linha de frente desse tipo de crime na cidade.
A investigação revelou uma mudança no perfil dos criminosos. Ladrões de banco e de carro-forte, ligados às quadrilhas do chamado Novo Cangaço, migraram de ramo. Eles foram cooptados e recrutados para assaltar residências de luxo. Nas ações, passaram a usar a experiência que tinham em segurança e vigilância.
Os números mostram a dimensão do problema. Somente no ano passado, foram registradas 32 invasões na região do Morumbi. A área concentrou boa parte das ocorrências desse tipo. O dado ajuda a entender o foco da atuação da quadrilha.
Um elemento inusitado chamou a atenção na investigação. Imagens das câmeras de segurança de um dos assaltos, com a entrada e a fuga dos criminosos, viraram um clipe musical. O clipe é do MC Zequinha, e a letra parece um manual de invasão a mansões. As cenas reais do crime foram usadas no vídeo.
Os próprios criminosos reagiram ao verem as imagens no clipe. Eles não sabiam que as cenas da fuga em um dos assaltos haviam virado o vídeo e comemoraram. Nas conversas, mostram conhecer e conviver com o MC Zequinha. Em um dos diálogos, um deles afirma que o cantor queria fazer parte do bando.
Entre os investigados estão nomes ligados ao grupo. Aparecem Rodrigo Matos da Silva, conhecido como o Bode, e Diego Fernandes de Souza, o Minotauro. A defesa do Minotauro informou que ele está à disposição da Justiça e responde regularmente aos processos. Rodrigo Matos da Silva não tem defesa constituída.
O cantor também foi chamado a se explicar. Djalma Oliveira Rio Jr., o MC Zequinha, prestou esclarecimentos à polícia, que fez buscas em sua casa. Na delegacia, ele negou qualquer vínculo com a quadrilha. Segundo sua defesa, as imagens eram de conteúdo público na internet, e ele optou por retirar o clipe do ar. Uma das vítimas relatou ter vivido duas horas de terror durante uma das invasões.
