A Receita Federal interceptou quase 300 quilos de cocaína que seguiriam escondidos para fora do país dentro de uma carga de cereais. Segundo a reportagem, a droga estava embutida em um carregamento de soja e milho que sairia da Bahia rumo à Europa, mais um caso em que produtos agrícolas brasileiros, embarcados em grande volume, acabam usados como fachada para o tráfico internacional.
O entorpecente não estava espalhado por todo o embarque, mas concentrado em parte dele. Quase 300 quilos de cocaína foram encontrados em dois contêineres, e outros quatro que integram a mesma operação ainda serão vistoriados nos próximos dias, o que deixa em aberto a possibilidade de a quantidade total apreendida crescer à medida que a inspeção avança.
A ação não foi fruto do acaso. A carga chegou ao porto de Salvador no dia 22 e já vinha sendo acompanhada de perto pela Receita Federal, que monitorava a movimentação antes mesmo de a droga ser localizada. O destino declarado do carregamento era a França, um dos pontos de entrada da cocaína sul-americana no mercado europeu.
A apreensão se soma a um momento de pressão sobre o mesmo porto. Ela ocorreu apenas um dia depois de a Justiça Federal condenar seis pessoas por tráfico internacional de drogas em um caso também ligado ao porto de Salvador, sinal de que o terminal baiano vem sendo usado de forma recorrente como porta de saída para remessas destinadas ao exterior.
O processo já julgado ajudou a expor o método por trás desse tipo de esquema. Naquele caso, uma organização criminosa subornava um funcionário para inserir a droga em contêineres, sem que o dono original da carga soubesse que seu embarque havia sido contaminado, uma engenharia que permite aproveitar exportações legítimas para escoar cocaína.
Diante das semelhanças, a investigação agora se volta para um possível elo entre os dois episódios. A Polícia Federal pretende apurar se a nova remessa tem ligação com o grupo condenado e quem, na cadeia de exportação, ajudou a viabilizar o embarque, partindo da avaliação de que, na maioria das vezes, o exportador é uma empresa idônea que desconhece o crime escondido em sua mercadoria.
