Uma rede de oficinas e pneus, com lojas em diferentes pontos do Brasil, está sendo investigada pela polícia, sob suspeita de aplicar golpes em consumidores. Segundo a apuração, a prática do grupo seria forçar os clientes a realizar reparos que não haviam sido solicitados nem eram necessários.
O caso ganhou destaque a partir de relatos de clientes que procuraram as lojas para serviços simples e saíram de lá com prejuízos muito acima do esperado. Uma pessoa foi até o local apenas para trocar os pneus do carro, mas acabou gastando cerca de 30 mil reais com supostos reparos na direção, na embreagem e no câmbio.
De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, os donos dos carros eram enganados durante o atendimento. Em muitos casos, o que deveria ser apenas a troca dos pneus, que custaria algo em torno de 950 reais, se transformava em um orçamento de quase 30 mil reais.
Nos depoimentos prestados às autoridades, algumas vítimas relataram que eram coagidas pelos funcionários das lojas. Com medo diante da situação, acabavam autorizando os serviços apresentados, mesmo sem terem pedido aquele tipo de reparo ao chegar ao estabelecimento.
A investigação aponta um padrão na forma de atuação da rede, que transformava pedidos simples em pacotes de serviços caros. A diferença entre o valor de uma troca de pneus e os valores efetivamente cobrados ajuda a dimensionar o tamanho do suposto golpe sofrido pelos consumidores.
Diante dos elementos reunidos, os investigados podem responder por associação e organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e venda casada. A defesa da empresa não foi localizada para se manifestar sobre as suspeitas levantadas pela polícia.
As autoridades reforçam que o consumidor pode e deve registrar uma denúncia ou reclamação no PROCON do seu estado ou município sempre que um serviço não tiver sido solicitado nem autorizado. O registro ajuda nas apurações e na proteção de outros clientes diante desse tipo de prática.
A operação ganhou novos números à medida que avançou. Segundo o relato, a Polícia paulista cumpriu 16 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Goiás, e cerca de 3.500 pneus foram apreendidos. Mais de 4,5 milhões de reais foram bloqueados em contas bancárias ligadas ao esquema, e cerca de 100 consumidores podem ter sido lesados.
Os relatos das vítimas reforçaram a pressão exercida nas lojas. Houve casos em que funcionários teriam ido atrás do cliente em outras unidades, apontando o dedo e questionando por que ele não havia autorizado o serviço ali. A defesa da empresa não foi localizada, e os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e venda casada.
