Depois de quase 20 anos parado, o segundo ramal do bonde de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, voltou a funcionar. A circulação ainda está em fase de testes, mas marca o retorno de um trecho do sistema que ficou desativado por quase duas décadas, em um dos cartões-postais da cidade.
Para muitos moradores, o bonde é mais do que um meio de transporte. Os bondes já foram o principal meio de deslocamento na cidade no século passado e se tornaram um símbolo do bairro de Santa Teresa. Há quem diga que o bonde é como um parente da família, presente na vida de quem nasce e cresce ali.
Além do uso cotidiano de quem precisa do bonde para ir até o centro da cidade, o transporte também é uma forte atração turística. Visitantes chegam ao bairro justamente para conhecer esse modo de vida, em um passeio que se transformou em parte da experiência de quem visita o Rio de Janeiro.
O sistema, porém, carrega a memória de uma tragédia. Em 2011, um acidente interrompeu a circulação nas duas últimas linhas de bonde do Rio. Em um dos episódios, seis pessoas morreram e 57 ficaram feridas após um descarrilamento, o que levou à paralisação do serviço por anos.
Com o retorno deste segundo ramal, o trajeto que já está em operação passa pelos Arcos da Lapa e agora chega aos pés do Morro do Corcovado, ampliando o percurso disponível. Por estar em fase de testes, há motoristas que ainda não sabem que o bonde já está circulando por ali.
O governo ainda estuda a inclusão de mais bondes na rede para atender à demanda. Moradores afirmam que o que falta, de fato, são mais bondes em operação, à medida que o sistema retoma aos poucos a sua função histórica de transporte e de atração no bairro de Santa Teresa.
