A polícia prendeu cinco suspeitos de integrar um esquema criminoso voltado ao roubo de medicamentos usados por pacientes com câncer, que depois eram revendidos para hospitais. Segundo as investigações, a organização por trás do esquema teria lucrado ao menos 33 milhões de reais com a venda desses remédios desviados.
As ações que levaram às prisões não se concentraram em um único ponto do país. De acordo com as apurações, elas aconteceram no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Goiás e no Pará, o que indica que a atuação do grupo se espalhava por diferentes estados e não se limitava a uma região específica do território nacional.
As investigações apontam como funcionava a etapa inicial do esquema. Caminhões carregados de medicamentos eram roubados e, em seguida, levados principalmente para o Complexo da Maré, na Zona Norte da capital fluminense. A comunidade aparecia, assim, como destino central das cargas desviadas pelo grupo criminoso.
O alvo do esquema eram remédios de perfil bastante específico e sensível. Segundo a polícia, tratava-se de medicamentos utilizados por pacientes com câncer, por pessoas transplantadas e por quem convive com doenças autoimunes, ou seja, produtos essenciais para tratamentos contínuos e muitas vezes de alto custo.
Depois de desviados, esses remédios não saíam de circulação. De acordo com as investigações, empresas de fachada eram usadas para revender os medicamentos roubados para hospitais públicos e privados de todo o país, o que fazia com que a carga desviada retornasse ao mercado por vias aparentemente formais.
As apurações também indicam a ligação do grupo com o crime organizado. Segundo a polícia, o esquema recebia apoio da facção Terceiro Comando Puro. Com essa estrutura, a organização criminosa teria acumulado um lucro estimado em pelo menos 33 milhões de reais, valor que ajuda a dimensionar o alcance da operação.
