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Falso médico que fazia abortos clandestinos é preso no Rio de Janeiro

Falso médico que fazia abortos clandestinos é preso no Rio de Janeiro

A polícia prendeu em casa, na Tijuca, José Luiz Gonçalves, um falso médico que fazia abortos clandestinos no Rio de Janeiro. Duas mulheres atendidas por ele foram internadas; uma morreu de infecção generalizada e a outra está em estado grave após perder o sistema reprodutivo. No local, a polícia encontrou munições e materiais usados nos procedimentos.

A polícia do Rio de Janeiro prendeu um homem acusado de se passar por médico para realizar abortos clandestinos, em um caso que já deixou uma mulher morta e outra em estado grave. A prisão ocorreu na manhã desta sexta-feira, na casa do suspeito, no bairro da Tijuca, na zona norte da cidade, e expôs uma operação que funcionava longe de qualquer controle sanitário.

O homem detido foi identificado como José Luiz Gonçalves. Segundo a polícia, ele não tinha formação médica reconhecida e, mesmo assim, conduzia os procedimentos por conta própria, atraindo mulheres que buscavam interromper a gravidez de forma ilegal e que acabaram expostas a um risco muito maior do que imaginavam ao procurá-lo.

A investigação começou a partir do estado de saúde de duas mulheres que passaram pelas mãos do falso médico. As duas, que fizeram abortos ilegais na Barra da Tijuca, foram internadas no Hospital Miguel Couto, na Gávea, em condições graves, o que acendeu o alerta das autoridades e levou os agentes a rastrear a origem dos procedimentos.

O desfecho para uma das vítimas foi trágico. De acordo com a polícia, uma delas não resistiu e morreu no mês passado, vítima de uma infecção generalizada, resultado direto das condições em que o procedimento foi realizado. A morte tornou o caso ainda mais grave e deu novo impulso às buscas pelo responsável.

A segunda mulher sobreviveu, mas com sequelas profundas. Ela permanece internada e em estado grave, depois de ter passado por uma histerectomia que, segundo o relato das autoridades, fez com que perdesse praticamente todo o sistema reprodutivo. Foi essa vítima, ainda viva, que relatou tudo na delegacia e permitiu que a polícia chegasse até o suspeito.

O local onde os procedimentos aconteciam reforça a gravidade do caso. O falso médico atuava em uma sala comercial em plena Olegário Maciel, no coração da Barra da Tijuca, onde a perícia encontrou uma maca enferrujada, luvas usadas com material limpo e sujo misturados, medicações e seringas, tudo acondicionado em condições insalubres. Na casa do suspeito, os agentes apreenderam ainda munições e diversos materiais usados nos abortos.

Com a prisão, a polícia civil e a perícia seguem analisando o que foi recolhido e tentam estabelecer a real dimensão do esquema. As investigações buscam descobrir se outras mulheres também passaram pelo local e se o suspeito agia em conjunto com mais pessoas, já que, na chegada à clínica, ninguém mais foi encontrado e, além do falso médico, nenhuma outra prisão foi feita até o momento.

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