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Operação no Rio mira esquema que cobrava taxa sobre comida em favelas

Operação no Rio mira esquema que cobrava taxa sobre comida em favelas

Uma operação policial no Rio de Janeiro mirou um esquema em que milicianos e traficantes se uniram para cobrar taxas sobre a comida vendida em favelas. Os agentes estiveram em 14 endereços, apreenderam sacas de farinha e cadernos de contabilidade, e dois suspeitos foram detidos. Há indícios de mortes ligadas ao grupo.

Uma operação policial no Rio de Janeiro expôs um esquema que mostra como o crime organizado avança sobre o comércio do dia a dia nas comunidades. De acordo com as investigações, milicianos e traficantes se uniram para cobrar taxas sobre a comida vendida em favelas da cidade, transformando itens básicos da mesa dos moradores em mais uma fonte de lucro para grupos criminosos que historicamente disputam o controle desses territórios.

A ação das forças de segurança teve um alcance significativo. Os agentes estiveram em 14 endereços ligados ao esquema, em uma operação voltada a mapear a estrutura usada pela quadrilha para movimentar os produtos. O número de pontos visitados dá a dimensão de uma rede que ia além de um único depósito e se espalhava por diferentes elos da cadeia de distribuição.

Em um dos locais, a polícia encontrou parte do material que abastecia o esquema. Em um galpão, foram localizadas várias sacas de farinha empilhadas. Segundo a polícia, o produto era distribuído em comunidades da zona oeste do Rio e da Baixada Fluminense, regiões onde o grupo criminoso atuava impondo suas regras ao comércio local e ao consumo das famílias.

O esquema funcionava como um monopólio imposto à força. Nas áreas sob influência da quadrilha, o grupo proibia o consumo de outras marcas, obrigando moradores e comerciantes a adquirir apenas os produtos ligados à organização. Essas mercadorias, ainda de acordo com a investigação, eram vendidas a preços consideravelmente acima do valor de mercado, encarecendo itens essenciais para quem vive nessas comunidades.

A imposição desse domínio teria deixado um rastro de violência. Há indicativos, segundo a apuração, de mortes ligadas ao esquema, incluindo a de um empresário que teria se negado a adquirir os produtos do grupo. O relato reforça a leitura de que a resistência à cobrança e à exclusividade imposta pela quadrilha poderia ser respondida com ameaças e até com a eliminação de quem se opunha.

Durante as buscas, os investigadores reuniram elementos que ajudam a comprovar o funcionamento da rede. Documentos e cadernos de contabilidade foram apreendidos, material que pode revelar valores movimentados e a forma como o esquema era organizado. Ao final das diligências, duas pessoas foram detidas, em uma etapa que tende a alimentar o avanço das investigações sobre os demais envolvidos.

Além do aspecto criminal, a operação acendeu um alerta de saúde pública. Durante as buscas, os agentes encontraram alimentos fora do prazo de validade e com indícios de violação que, mesmo assim, seriam vendidos nas comunidades. Um depósito chegou a ser interditado por causa das condições precárias, expondo o risco a que estavam submetidos os consumidores obrigados a comprar esses produtos.

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