A polícia deflagrou uma operação contra uma organização criminosa apontada como responsável por lavar dinheiro de facções, em um esquema que teria movimentado pelo menos 100 milhões de reais ao longo de quatro anos. Segundo o relato, a ação resultou em prisões e apreensões, e a Justiça determinou o bloqueio de bens dos envolvidos, em uma investigação que busca sufocar o núcleo financeiro do grupo criminoso.
O ponto de partida da apuração foi uma facção específica. De acordo com o relato, a investigação começou mirando o Terceiro Comando Puro, que domina a região do Complexo de São Carlos, no centro do Rio de Janeiro, e, a partir daí, os agentes chegaram a toda a estrutura montada para movimentar e ocultar os recursos ilícitos que abasteciam o crime organizado.
O esquema, porém, não se limitava a uma única facção. Segundo o relato, a organização lavava dinheiro não apenas para o Terceiro Comando Puro, mas também para o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, e para o Primeiro Comando da Capital, em São Paulo, o que dá a dimensão do alcance da estrutura financeira montada para atender a diferentes grupos criminosos.
Um dos nomes centrais da investigação foi preso na própria comunidade. De acordo com o relato, uma mulher foi detida no Complexo de São Carlos, apontada pelas investigações como responsável por movimentar ao menos 50 milhões de reais em quatro anos por meio de uma empresa de fachada, uma loja de celulares instalada na região, usada para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico.
As ramificações do esquema chegam a outros estados e à fronteira. Segundo o relato, um trio de irmãos libaneses que se dizem empresários teria aberto diversas empresas de fachada para lavar o dinheiro do tráfico de drogas e atuaria também na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, em Foz do Iguaçu, onde a operação também resultou em prisões e em uma série de apreensões.
A atuação na fronteira ia além da lavagem. De acordo com o relato, parte da organização também operava com contrabando naquela região, e a polícia apreendeu produtos que passam de forma ilícita pelo país, entre eles canetas emagrecedoras, cigarros eletrônicos e cigarros falsificados. Os investigadores apuram ainda uma linha que precisa ser confirmada, sobre um homem apontado como possivelmente ligado à Al-Qaeda, que estaria facilitando a entrada e a saída de dinheiro da organização.
Com as prisões e o bloqueio de bens, a investigação segue em andamento. Segundo o relato, a polícia informou que a organização criminosa movimentou pelo menos 100 milhões de reais em quatro anos, e o objetivo dos investigadores é chegar à liderança do grupo, responsabilizando os integrantes que atuavam no núcleo financeiro do esquema montado para servir às facções.
