A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação direcionada à cúpula de uma milícia que atua na região do Catiri, em Bangu, na zona oeste da capital fluminense. A ação tem como foco o núcleo financeiro do grupo paramilitar e resultou na prisão de um policial militar acusado de envolvimento com a quadrilha. Segundo os investigadores, a estrutura criminosa funcionava de forma organizada e movimentava grandes quantias de dinheiro.
De acordo com a investigação, o grupo paramilitar é suspeito de cobrar taxas de moradores e comerciantes da região como forma de extorsão. A milícia também exigiria o pagamento de propina para permitir a continuidade de obras públicas no território sob seu controle. Quem se recusava a pagar os valores cobrados, segundo a polícia, passava a sofrer ameaças por parte dos integrantes da organização.
Os investigadores afirmam ter identificado uma ampla engrenagem criminosa que teria movimentado quase 25 milhões de reais ao longo dos últimos anos. Entre os principais alvos da operação está o policial militar Alexandre Santos Martins, apontado como peça relevante no esquema financeiro do grupo. As apurações buscam mapear como o dinheiro arrecadado pela milícia era ocultado e reintroduzido na economia formal.
O policial militar foi preso em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, também na zona oeste do Rio. No local, os agentes apreenderam um carro importado e blindado, avaliado em cerca de 250 mil reais. A apreensão do veículo reforça, segundo a polícia, a suspeita de que parte dos recursos do grupo era convertida em bens de alto valor.
Alexandre Santos Martins e a ex-mulher são investigados por supostamente lavar o dinheiro da quadrilha. Conforme a apuração, ela teria movimentado cerca de 5 milhões de reais em apenas um ano. No mesmo período em que aparece essa movimentação financeira, ela também constava como beneficiária do programa assistencial Bolsa Família, contradição que passou a ser examinada pelos investigadores.
A Justiça determinou o bloqueio de bens e contas bancárias dos investigados, como forma de impedir a dissipação dos valores ligados ao suposto esquema. As investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes e o alcance da atuação do grupo. Os investigados respondem ao processo sob a presunção de inocência, e a manifestação da defesa do policial militar não havia sido localizada até a divulgação do caso.
