Uma operação policial no Rio de Janeiro teve como alvo um deputado estadual do PRD e o ex-vereador Ulisses Marins, suspeitos de terem tentado impedir a demolição de um resort erguido por um chefe do crime em uma favela. Segundo as investigações, os dois teriam usado a influência de seus cargos para barrar a ação das autoridades. A apuração trata da relação entre agentes públicos e uma facção criminosa que atua na cidade.
O empreendimento, descrito como um resort de luxo montado dentro de uma comunidade, teria sido construído na zona norte do Rio por Álvaro Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro. A estrutura chamou a atenção das autoridades pelo padrão e pela ligação com a facção. A investigação busca esclarecer como a obra avançou apesar das ordens de demolição que pesavam sobre o local.
De acordo com a polícia, a apuração começou a partir da intervenção do parlamentar estadual e do então vereador para obstaculizar a demolição dos imóveis. Os dois teriam argumentado que as construções eram destinadas à prestação de serviços sociais à comunidade. Diante desse movimento, a ação para demolir o resort chegou a ser adiada na época, segundo os investigadores.
No cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam documentos e dispositivos eletrônicos no gabinete do deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em endereços ligados ao ex-vereador Ulisses Marins, também alvo da operação, foram apreendidos cerca de 341 mil reais. Todo o material recolhido passou a integrar a apuração conduzida pelas autoridades.
Na casa de um ex-assessor, os policiais encontraram armas de uso restrito, segundo o balanço divulgado sobre a operação. Duas pessoas acabaram presas em flagrante durante o cumprimento das ordens judiciais. As circunstâncias dessas prisões e a origem do armamento ainda estão sendo apuradas pelos investigadores responsáveis pelo caso.
O deputado estadual do PRD negou as acusações, classificou a ação como perseguição política e afirmou que trabalha pelas pessoas mais humildes. Já a defesa do ex-vereador Ulisses Marins não foi localizada para comentar, de acordo com o noticiário. Os envolvidos respondem na condição de investigados, sem que haja condenação até o momento.
Os fatos ainda estão sob investigação, e ninguém foi condenado, valendo a presunção de inocência para os citados. As autoridades afirmam que o material apreendido deve ajudar a esclarecer o papel de cada envolvido no suposto esquema. A operação se soma ao esforço de apurar a influência de facções sobre obras e serviços em comunidades do Rio de Janeiro.
