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Facções dividem orla do Rio e prefeitura anuncia tolerância zero

Facções dividem orla do Rio e prefeitura anuncia tolerância zero

Uma investigação mostra como a disputa entre facções criminosas influencia atividades ilegais na orla do Rio de Janeiro, com pontos de venda, segurança e comércio clandestino. Segundo comerciantes, os grupos criaram uma linha imaginária na faixa de areia, na altura do posto 2 da Orla Carioca: o trecho do Leme é controlado pelo Terceiro Comando Puro e Copacabana está sob influência do Comando Vermelho. A Prefeitura do Rio estima mil pontos ilegais na orla e, a partir de 16 de julho, uma ação conjunta com o governo do Estado vai impor tolerância zero.

As praias mais famosas do Rio de Janeiro, que atraem turistas do mundo inteiro, também viraram alvo de exploração do crime organizado. Segundo o relato, uma investigação mostra como a disputa entre facções criminosas influencia atividades ilegais na orla, com pontos de venda, segurança e comércio clandestino, revelando um lado bem menos visível do cartão-postal da cidade.

A mesma paisagem que serve de vitrine para o turismo é usada para engordar as contas do crime. De acordo com as informações, o cenário que atrai visitantes do mundo inteiro é aproveitado para aumentar a renda das organizações criminosas, que enxergam na faixa de areia um território a mais para explorar.

A ocupação, segundo quem trabalha no local, obedece a fronteiras invisíveis. De acordo com os comerciantes, a disputa entre as facções criou uma linha imaginária na faixa de areia, na altura do posto 2 da Orla Carioca, um marco informal que separa as áreas de influência de cada grupo dentro da mesma praia.

Cada lado dessa divisão responde a um dono diferente. Segundo o relato, o trecho do Leme é controlado pelo Terceiro Comando Puro, facção que domina as favelas que ficam em frente àquela parte da orla, e que estende para a areia o poder que já exerce no morro.

Do outro lado da linha, o controle muda de mãos. De acordo com as informações, o trecho de Copacabana está sob a influência do Comando Vermelho, em um arranjo que faz com que a praia funcione, na prática, como uma extensão das favelas que a cercam, com a mesma lógica de domínio territorial.

A repartição do espaço segue as regras do tráfico. Segundo o relato, a divisão geralmente é feita através dos chefes do tráfico: um grupo não invade a área do outro enquanto aquele chefe ainda mantém o domínio da localidade, um acordo tácito que mantém a fronteira imaginária de pé sobre a areia.

A dimensão do problema aparece nos números da própria prefeitura. De acordo com as informações, a estimativa da Prefeitura do Rio é que existam mil pontos ilegais de tráfico e de venda de produtos na faixa da orla, o que dá a medida de quanto a economia clandestina se espalhou pela beira-mar.

Diante desse quadro, o poder público anunciou uma resposta com data marcada. Segundo o relato, a partir de 16 de julho uma ação conjunta da Prefeitura do Rio com o governo do Estado vai impor tolerância zero nas praias dessa faixa, em uma tentativa de retomar o controle da orla e desmontar a estrutura montada pelas facções.

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