A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou uma operação para desmantelar uma organização criminosa que clonava campanhas reais de doação com o objetivo de desviar o dinheiro arrecadado. O esquema mirava justamente a solidariedade de quem se dispunha a ajudar famílias em dificuldade, transformando o impulso de doar em uma porta de entrada para o crime, num tipo de fraude que se apoia nas redes sociais e nas ferramentas digitais mais recentes.
A ação das autoridades não ficou restrita a um único estado. De acordo com o relato, houve prisões simultâneas no Rio Grande do Sul, no Paraná, em São Paulo, no Mato Grosso do Sul e em Pernambuco, o que indica que o grupo atuava de forma espalhada pelo país e que a investigação precisou coordenar diligências em diferentes regiões para alcançar os envolvidos ao mesmo tempo.
O modo de operação da quadrilha explorava a semelhança com as campanhas verdadeiras. Segundo o relato, os criminosos criavam anúncios patrocinados em redes sociais idênticos aos feitos pelas próprias famílias, de forma que o público não conseguisse distinguir o pedido de ajuda legítimo daquele montado para desviar recursos, e assim direcionava para os golpistas as doações que deveriam chegar a quem realmente precisava.
Para tornar as peças ainda mais convincentes, o grupo recorria a recursos de manipulação digital. De acordo com o relato, os envolvidos utilizavam imagens, vídeos e até clonagem de voz e deepfake de crianças em tratamento contra o câncer, técnicas capazes de recriar artificialmente a aparência e a fala das vítimas para sensibilizar o público e reforçar a falsa autenticidade das campanhas divulgadas.
O dinheiro arrecadado seguia por canais comuns de pagamento. Segundo o relato, os valores eram recolhidos por meio de pix ou de cartões, e um dos investigados chegou a abrir uma empresa para receber o dinheiro obtido com o crime, uma estrutura que ajudava a dar aparência de normalidade à movimentação dos recursos desviados das doações.
A investigação teve origem em uma denúncia feita por quem sentiu o golpe de perto. De acordo com o relato, o alerta partiu de uma família gaúcha que percebeu que a campanha criada para a filha, que tem um câncer infantil, havia sido clonada, e a apuração apontou que cerca de 295 mil reais doados por pessoas sensibilizadas com a história nunca chegaram, de fato, à família.
Com a operação em curso, os suspeitos passam a responder na Justiça e o trabalho da polícia continua. Segundo o relato, os investigados respondem por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, e as autoridades agora buscam identificar outras campanhas que tenham sido clonadas pelo grupo e dimensionar o montante total desviado ao longo do esquema.
