Uma obra da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp, provocou na noite desta quinta-feira um novo vazamento de gás no centro da capital paulista, espalhando um forte cheiro pelas ruas e obrigando moradores a deixar às pressas os seus imóveis. O episódio foi flagrado por uma câmera de segurança e reacendeu a preocupação com os acidentes recentes envolvendo escavações ligadas à companhia na cidade.
De acordo com as informações disponíveis, o vazamento aconteceu por volta das 19h15 na Rua Doutor Teodoro Baima, na região da República, no coração de São Paulo. Uma retroescavadeira que fazia a remoção de terra no local acabou atingindo a tubulação de gás, que começou a vazar em grande quantidade, criando uma situação de risco em plena área central da cidade, cercada de prédios e de grande circulação de pessoas.
As imagens registradas mostram o momento de correria assim que o gás começou a escapar. Pelo menos cinco funcionários que acompanhavam o trabalho de escavação aparecem saindo correndo para se afastar do ponto do vazamento. Um entregador de comida que passava próximo ao local também surge nas imagens, buscando abrigo no prédio em frente enquanto o gás se espalhava rapidamente pelo ar.
Por causa do cheiro forte, que logo tomou conta da região, os moradores das imediações saíram apressados dos imóveis, e a área precisou ser isolada para evitar um acidente mais grave. O Corpo de Bombeiros foi acionado e isolou o entorno, enquanto equipes da Sabesp e da Comgás, concessionária responsável pela distribuição de gás, foram chamadas para conter o problema e avaliar os riscos.
Segundo a empresa de gás, o vazamento foi controlado cerca de 20 minutos depois, e ninguém ficou ferido. Em nota, a Sabesp lamentou o ocorrido e afirmou que acionou imediatamente os seus protocolos de segurança assim que foi informada sobre o rompimento da tubulação, em uma tentativa de reduzir o tempo de exposição da população ao gás que havia sido liberado no ambiente.
O novo episódio chama atenção por acontecer menos de um mês depois de um acidente muito mais grave ligado a outra obra da Sabesp. No dia 11 de maio, no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, uma intervenção da companhia atingiu uma rede de gás, e horas depois uma explosão deixou dois mortos e destruiu casas em uma comunidade da região, num dos episódios mais trágicos recentes envolvendo esse tipo de obra.
As vítimas daquele acidente foram o vigilante Alex Fernandes Nunes, de 49 anos, e o pintor autônomo Francisco Bondemba da Silva, de 57 anos. A explosão destruiu 16 casas e deixou outras 22 parcialmente interditadas na comunidade Nossa Senhora das Virtudes II. Poucos dias depois, em 14 de maio, mais uma obra da Sabesp atingiu uma tubulação da Comgás, dessa vez em Itaquera, na Zona Leste, reforçando a preocupação com a repetição desses episódios na cidade.
