A polícia fechou nesta quarta-feira uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Salvador, depois de uma série de denúncias de maus-tratos contra os internos. Durante a ação, o gerente da instituição foi preso em flagrante, enquanto as equipes trabalhavam para retirar as pessoas que estavam no local e reunir informações sobre o funcionamento da unidade.
Ao todo, 49 internos foram resgatados da clínica de reabilitação pela polícia. Segundo as autoridades, eles apresentavam sinais de maus-tratos e de tortura, e parte deles foi encontrada amarrada dentro do local. As imagens e os relatos reunidos durante a operação passaram a embasar a investigação sobre as condições a que essas pessoas estavam submetidas.
A unidade atendia dependentes químicos e pessoas com transtornos mentais e funcionava há quase três anos. Trata-se de uma clínica particular, com mensalidade que custava cerca de 1.500 reais. Apesar do tempo de atividade, o caso ganhou contornos graves à medida que as denúncias sobre o tratamento dado aos internos se acumularam.
As denúncias contra a clínica começaram em dezembro do ano passado, após a morte de um interno. Iago Marques chegou a ser dado como desaparecido pelos familiares em um primeiro momento e, depois, foi encontrado morto. O episódio marcou o início de uma sequência de relatos que apontavam para práticas de violência dentro da instituição.
Na mesma época, outro interno também teria sido torturado. De acordo com as informações, Giovanni Santana teria sido queimado com álcool dentro da clínica de reabilitação. Ele chegou a ficar cinco meses internado em um hospital em razão dos ferimentos, mas não resistiu, tornando-se mais uma vítima associada ao funcionamento do local.
De acordo com a Polícia Civil, a clínica de reabilitação não possuía autorização de funcionamento da vigilância sanitária nem do corpo de bombeiros. A ausência desses alvarás reforça o entendimento das autoridades de que a unidade operava de forma irregular, sem o controle mínimo exigido para esse tipo de atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.
No local, a polícia prendeu em flagrante o gerente da instituição. Além disso, os investigadores informaram que vão representar por um mandado de prisão preventiva contra o dono da clínica, que não foi encontrado durante a operação. A apuração segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias dos casos denunciados.
