Dois irmãos apontados como líderes de uma organização criminosa foram presos em uma investigação conduzida em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Identificados como Tiago da Silva Cabral, de 37 anos, e Paulo Henrique da Silva, de 40, eles são descritos pelas autoridades como responsáveis pelo comando e pela parte financeira do grupo. A apuração vem sendo reconstruída a partir da análise de imagens de câmeras de segurança da cidade.
Segundo a investigação, o esquema comandado pelos dois pode envolver mais de vinte pessoas. Além dos irmãos, aparecem no núcleo apurado familiares e companheiras, mas também pessoas que atuavam apenas como laranjas. Essas pessoas interpostas eram utilizadas para movimentar os recursos do grupo, mesmo sem ter capacidade financeira compatível com os valores que passavam por suas contas.
A parte financeira do esquema chamou a atenção dos investigadores pela forma como o dinheiro era movimentado. De acordo com a apuração, os laranjas operavam em um regime de zeramento de saldo, com saques sem espécie realizados de forma sucessiva. Foram identificados vários saques de centenas de milhares de reais em poucos meses, um fluxo que reforçou a suspeita de lavagem e ocultação de recursos de origem ilícita.
Enquanto usavam terceiros para dar aparência de legalidade ao dinheiro, os líderes mantinham sinais claros de riqueza. Segundo a investigação, os irmãos ostentavam veículos de luxo e um grande volume de dinheiro em espécie. Durante a ação, os policiais apreenderam seis veículos, entre eles caminhonetes caras e outros carros, materiais que passam a integrar as provas reunidas no caso.
As imagens analisadas em São Caetano do Sul revelaram um trabalho de monitoramento minucioso. De acordo com a apuração, a rua onde um tenente da Rota mora, a academia em que ele treina e as principais avenidas da cidade foram rondadas pelo carro dos suspeitos mais de noventa vezes desde fevereiro. Os criminosos passaram mais de quatro meses mapeando a rotina do alvo antes de agir.
A investigação não trata o grupo como uma ameaça isolada. Segundo a apuração, a organização é ligada a ataques que foram frustrados contra um promotor de justiça no estado de São Paulo. O mesmo núcleo é associado ao caso do delegado Rui Ferraz, morto no ano passado em Praia Grande, o que amplia a dimensão das ações atribuídas ao grupo contra integrantes das forças de segurança e da Justiça.
Com a prisão dos dois irmãos, os investigadores concentram-se agora em identificar todos os envolvidos no esquema e em detalhar o funcionamento da estrutura financeira montada pelo grupo. A reconstrução do percurso feito pelos criminosos, a partir das câmeras de segurança, segue em andamento em São Caetano do Sul. Os presos respondem ao processo e são preservados pela presunção de inocência até uma eventual decisão da Justiça.
