A investigação sobre a morte do advogado Pedro Eli Cordeiro, de 43 anos, ganhou um capítulo decisivo em São Paulo. Novas imagens de segurança analisadas pela polícia apontaram para um suspeito, e os investigadores agora tratam o caso dentro da hipótese do golpe conhecido como Boa Noite Cinderela, em que a vítima é dopada para ser roubada. A polícia já identificou o homem que aparece ao lado do advogado como o principal suspeito.
As imagens mostram o momento em que Pedro e um homem de boné branco deixam juntos uma tabacaria na região de Pinheiros. Nas cenas, os dois conversam e chegam a trocar sorrisos, compram bebidas e é o próprio advogado quem faz o pagamento com cartão de crédito. Pela leitura corporal, os policiais avaliam que eles não eram amigos antigos, mas teriam criado uma proximidade ao longo daquela noite.
Pouco depois, já na rua, o advogado começou a passar mal. Segundo o registro das câmeras, Pedro levou as mãos à barriga e se abaixou, enquanto o homem de boné branco, que segurava uma garrafa, olhava de um lado para o outro e parecia nervoso. Pessoas que passavam pelo local se aproximaram para ajudar, e mulheres desesperadas acionaram o Samu ao perceberem que algo estava errado.
Foi nesse momento que o suspeito se afastou da cena. De acordo com a investigação, o homem de boné branco retirou Pedro e o deixou na calçada, afirmando que ele não estava bem e que não poderia ficar ali, e chegou a acionar o socorro antes de desaparecer. Quando a equipe do Samu chegou, no entanto, constatou que o advogado já havia entrado em óbito, sem que houvesse o que fazer.
Para a polícia, foi esse mesmo homem quem teria ministrado uma dose forte à vítima, caracterizando o golpe do Boa Noite Cinderela. A suspeita se sustenta na sequência de fatos registrada pelas câmeras e no comportamento do suspeito, que teria se aproximado do advogado ao longo da noite e permanecido ao lado dele até o momento em que Pedro passou mal na via pública.
O desfecho veio depois de dias de mistério. Pedro Eli Cordeiro, que era do Rio de Janeiro e estava em São Paulo a trabalho, ficou quatro dias desaparecido antes de a situação ser esclarecida. Nesse intervalo, movimentações suspeitas começaram a aparecer em suas contas bancárias, com pelo menos três tentativas de saque no valor de 10 mil reais cada, todas negadas pelo banco.
Com as novas imagens, a polícia identificou o homem de boné branco como o principal suspeito e informou que ele será ouvido para prestar esclarecimentos. Outra pessoa, ligada às tentativas de saque na conta da vítima, também é procurada pelos investigadores. Os laudos periciais ainda são aguardados e devem ser fundamentais para o esclarecimento definitivo das circunstâncias da morte do advogado.
