Uma brincadeira acabou em tragédia em São Paulo, quando uma simulação de assalto terminou com um homem morto e outro baleado. Segundo o relato, dois homens simularam um roubo em frente a uma concessionária e acabaram atingidos por disparos de um escrivão da Polícia Civil que estava de folga no local, em um episódio que passou a ser tratado como caso grave pelas autoridades.
A vítima que morreu era um empresário conhecido pelo bom humor. De acordo com o relato, Alex Scarafice Goiabeira, de 36 anos, era casado, pai de um menino e dono de uma estética automotiva, e costumava aparecer sorrindo, fazendo piada e brincando com quem estava por perto, até que uma dessas brincadeiras terminou com a sua morte.
Naquele dia, ele havia saído para uma tarefa de rotina do trabalho. Segundo o relato, Alex pilotava a moto e, com o comparsa apontado como Kaique, tinha saído para buscar um carro que seria lavado, em um destino que ficava a pouco mais de 500 metros do local de trabalho, quando os dois passaram em frente à concessionária onde estava o grupo.
No pátio da concessionária, um negócio comum estava em andamento. De acordo com o relato, três homens avaliavam um veículo, e entre eles estava o escrivão da Polícia Civil Gabriel Farage Ribeiro, de 31 anos, que, de folga, negociava a compra de um carro e pretendia entregar o próprio veículo como parte do pagamento no momento em que a dupla se aproximou.
A simulação durou poucos segundos e teve um desfecho fatal. Segundo o relato, Alex reduziu a velocidade perto do grupo, Kaique desceu e levou uma das mãos à cintura, e foi nesse instante que o policial recuou, sacou a arma e disparou três vezes. Alex foi atingido nas costas e caiu, enquanto Kaique, baleado no abdômen, ainda conseguiu ficar de pé e falar com o agente.
Logo depois dos disparos, o próprio atirador acionou o socorro. De acordo com o relato, segundos após os tiros o policial guardou a arma, pegou o celular e pediu ajuda, e Gabriel também prestou os primeiros atendimentos até a chegada das equipes de emergência. As duas vítimas foram levadas ao Hospital da Vila Alpina e passaram por cirurgias, mas Alex não resistiu, enquanto Kaique continua internado.
A investigação agora tenta esclarecer as circunstâncias do caso. Segundo o relato, a versão apresentada à polícia é que Alex e Kaique já tinham feito brincadeiras parecidas com funcionários da concessionária; abalados, os funcionários preferiram não gravar entrevista e disseram ter mantido os serviços já marcados para honrar os compromissos do patrão. O caso foi registrado inicialmente como lesão corporal decorrente de intervenção policial e legítima defesa e, com a morte de Alex, a Corregedoria da Polícia Civil passou a acompanhar o inquérito.
