A popularização dos carros elétricos no Brasil despertou a atenção do crime organizado, e o resultado já aparece nas estatísticas. No estado de São Paulo, o roubo e furto de veículos elétricos ou híbridos mais que dobrou, um crescimento que acompanha a tendência de adoção desse tipo de automóvel pelos motoristas.
O interesse dos criminosos, porém, tem um foco bastante específico. Segundo a polícia, o principal alvo das quadrilhas é a bateria do veículo, apontada como o componente mais valioso do carro. A peça é disputada porque pode ser revendida no mercado clandestino, alimentando um comércio ilegal que gira em torno desse item.
Além do alto valor, a bateria tem usos variados que aumentam a procura. De acordo com as informações, ela pode ser empregada tanto para reposição em casos de dano em outros veículos quanto de forma irregular para armazenar energia em imóveis, o que amplia o mercado para as peças subtraídas dos carros.
Para conseguir levar os veículos, as quadrilhas se especializaram em driblar a tecnologia. A polícia explica que os grupos utilizam bloqueadores de sinal para neutralizar os rastreadores, equipamentos comuns nesse tipo de automóvel, dificultando a localização dos carros logo após o roubo ou furto.
Uma ação recente ajudou a expor o esquema. Na semana passada, a polícia localizou um carro elétrico furtado estacionado em frente a uma oficina de desmanche. No local, foram encontradas peças como rodas, painéis, baterias, placas e documentos de veículos elétricos e de luxo roubados ou furtados.
A operação terminou com detenções. Um menor foi apreendido e um homem de 20 anos foi preso em flagrante no desmanche. Pela quantidade de peças encontradas, a suspeita é de que o grupo distribuía o material para muitas pessoas e diversos comércios ilícitos, reforçando a dimensão do problema enfrentado pelas autoridades.
