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O estado de São Paulo registrou 460 mortes por atropelamento entre janeiro e abril, sendo 130 apenas na capital, um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. O caso recente de um motorista de ônibus de 66 anos atropelado na faixa de pedestres no Capão Redondo ilustra a gravidade da situação.
Os números mais recentes sobre segurança viária no estado de São Paulo expõem uma tendência alarmante que se agrava a cada período estatístico. Entre janeiro e abril deste ano, quatrocentas e sessenta pessoas perderam a vida em atropelamentos em todo o território paulista, das quais cento e trinta ocorreram exclusivamente na região da capital. O índice representa um salto de doze por cento quando comparado ao mesmo intervalo do ano anterior, revelando que as ruas paulistas estão cada vez mais letais para quem transita a pé.
Um caso ocorrido recentemente no bairro do Capão Redondo, na zona sul da capital, ilustra de forma trágica a realidade enfrentada pelos pedestres. Ademilson Xavier de Souza, motorista de ônibus de sessenta e seis anos, caminhava pela faixa de pedestres durante a madrugada rumo ao trabalho, como fazia há oito anos, quando foi atingido em cheio por um veículo que trafegava em alta velocidade. Câmeras de segurança da região registraram o momento exato da colisão.
O que tornou o episódio ainda mais revoltante para a família foi o comportamento do motorista responsável. Segundo relatos colhidos pela Record News, o condutor chegou a sair do veículo após o impacto e olhou para a vítima caída no asfalto, mas em vez de prestar qualquer tipo de socorro, voltou para o carro e deixou o local em alta velocidade. Ademilson foi socorrido por outros transeuntes mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Familiares descreveram a vítima como um homem trabalhador e dedicado que percorria diariamente o mesmo trajeto para chegar ao ponto de ônibus onde iniciava seu expediente. A indignação da família se dirige não apenas ao motorista que fugiu mas ao que consideram uma falha sistêmica na proteção dos pedestres em vias urbanas onde veículos circulam em velocidades incompatíveis com a presença de pessoas a pé.
Especialistas em segurança no trânsito reforçam que existe uma relação direta entre a velocidade praticada pelos condutores e a probabilidade de que um atropelamento resulte em morte. Quanto mais rápido o veículo se desloca no momento do impacto, menores são as chances de sobrevivência da vítima. Apesar de um suspeito ter sido identificado através do boletim de ocorrência, nenhuma prisão foi efetuada até o momento, alimentando a sensação de impunidade que permeia os casos de atropelamento seguido de fuga na maior metrópole da América do Sul.