Uma operação policial cumprida em diferentes cidades de São Paulo mirou uma rede de lavagem de dinheiro apontada como ligada ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. A ação foi executada na capital paulista, em Santos, na Praia Grande e em Santana de Parnaíba, e teve como desdobramento uma determinação da Justiça para o sequestro de bens ligados aos investigados.
De acordo com a apuração, a operação teve como alvo uma mulher apontada pelas autoridades como parente e parceira nos negócios do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada. Ambos passaram a ser investigados por suposta ligação com a facção criminosa, em um esquema voltado, segundo as investigações, para a lavagem de grandes quantias de dinheiro.
A ação foi batizada de operação Exchange e teve como objetivo, segundo a Polícia Federal, desarticular uma quadrilha especializada na lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Os alvos foram o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que está foragido, e a secretária dele, Estela Estefani Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelas autoridades como peça do esquema. A defesa de Shimada informou que só teve conhecimento da operação e afirmou que qualquer manifestação sobre os fatos seria precipitada, já que ainda não teve acesso à decisão da Justiça.
Segundo a apuração do R7, a Polícia Federal havia pedido à Justiça a prisão dos 11 investigados no caso. As sanções anunciadas nesta semana pelos Estados Unidos contra suspeitos de ligação com a facção, no entanto, teriam atrapalhado a operação desta sexta-feira, um desdobramento que passou a ser levado em conta na condução das investigações sobre o alcance da rede.
O empresário Victor Shimada, que também é apontado como peça central da estrutura, foi alvo de sanções aplicadas por autoridades dos Estados Unidos nesta semana. Segundo as informações divulgadas, ele está foragido, enquanto as autoridades brasileiras avançam na apuração sobre o funcionamento e o alcance da rede no país.
As investigações indicam que o grupo atuava para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita, dando aparência de legalidade ao dinheiro que passava pela estrutura. Esse tipo de esquema costuma envolver empresas de fachada e operações financeiras complexas, montadas para dificultar o rastreamento da origem dos valores.
No âmbito da ação, a Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados. O uso de criptomoedas chama a atenção nesse tipo de caso, por permitir a transferência de recursos de forma rápida e com maior dificuldade de rastreio, o que tem levado as autoridades a acompanhar de perto esse tipo de movimentação.
Ainda segundo a apuração, a investigação identificou movimentações que chegam a 10 bilhões de reais ligadas a pelo menos 11 investigados. Esses números reforçam a avaliação das autoridades de que se trata de uma estrutura organizada e com capacidade de operar volumes expressivos de recursos, agora no centro da investigação conduzida no Brasil. De acordo com as informações, os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O caso tem ainda uma dimensão internacional, já que os alvos foram incluídos em medidas adotadas pelos Estados Unidos contra pessoas e empresas associadas ao PCC. A facção, além de ser um dos principais grupos criminosos do país, passou a ser tratada com atenção redobrada por autoridades dentro e fora do Brasil. Os investigados respondem ao processo e são preservados pela presunção de inocência até uma eventual decisão da Justiça.
Em um novo desdobramento, a Polícia Federal prendeu a mulher apontada pelo governo dos Estados Unidos como operadora financeira do PCC, identificada como Estela Oliveira. Segundo a apuração, ela é descrita pelas autoridades como responsável por movimentar recursos ligados à facção, enquanto o empresário Victor Shimada, apontado como chefe do esquema, permanece foragido. A prisão representou um avanço concreto na operação, que já havia mirado a estrutura financeira do grupo e resultado no sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, que seguem preservados pela presunção de inocência até uma eventual decisão da Justiça.
A investigacao tambem colocou em evidencia um novo nome ligado ao esquema. Segundo a apuracao, Diego Lameiro e hoje considerado foragido da Justica, e a Policia Federal interceptou conversas diretas dele com Victor Henrique de Oliveira Shimada, o empresario alvo das sancoes dos Estados Unidos por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital, o PCC.
As mensagens ajudaram a mostrar como o dinheiro se misturava a negocios aparentemente comuns. De acordo com a apuracao, nas conversas os dois combinavam valores, e Shimada chegou a pedir fotos e videos da producao de alho com que Diego trabalha na Argentina; a PF constatou ainda registros da entrada de alho argentino de forma ilegal no Brasil. A investigacao apontou que Diego abriu empresas de fachada no Brasil e nos Estados Unidos, e o relatorio da policia registrou cinco operacoes financeiras em nome dele que somam 4 milhoes e 470 mil reais.
