A Polícia Civil de São Paulo desarticulou uma quadrilha apontada como cruel, especializada em invadir residências na capital paulista. A ação resultou na prisão de sete adultos e na apreensão de dois adolescentes. Com o grupo, foram recuperadas armas de fogo e itens ligados aos crimes, encerrando a atuação de uma associação criminosa que já vinha sendo monitorada pelas autoridades.
As investigações revelaram o modo de agir do grupo, voltado para a seleção e a invasão de casas. Segundo a polícia, o alvo preferencial eram as pessoas que ofereciam menos chances de reação. De acordo com os investigadores, os criminosos preferiam atacar idosos de descendência oriental, por acreditarem que essas vítimas guardavam dinheiro escondido dentro de casa.
A crueldade da quadrilha ficou evidente na forma como os crimes eram expostos. Os criminosos posavam com armas, tiravam selfies durante as ações e chegavam a debochar das vítimas. Eles ainda publicavam imagens dos momentos de terror nas redes sociais, em perfis abertos onde era possível ver os próprios rostos e as vítimas amarradas e rendidas dentro dos imóveis.
Um detalhe chamou a atenção dos investigadores. Um dos criminosos mantinha uma conta em rede social com o nome de Lupin, seguido do número 155. O perfil faz referência a Arsène Lupin, o ladrão famoso da literatura e do cinema, enquanto o número remete ao artigo 155 do código penal, que trata do crime de furto, em um contraste com a violência real empregada pelo grupo.
Apesar da inspiração no personagem conhecido por agir sem violência, a realidade nas ruas de São Paulo era outra. As ações eram marcadas por grave ameaça e pelo uso de armas de fogo, facas e até chaves de fenda contra as vítimas. Como os integrantes divulgavam amplamente os crimes e os próprios rostos na internet, a Polícia Civil passou a monitorar a quadrilha de perto.
A virada nas investigações começou durante um patrulhamento, quando foi dada uma ordem de parada a um veículo. Na vistoria, os policiais descobriram que o carro era furtado e estava com as placas adulteradas, o que levou à captura de quatro integrantes e à apreensão de uma arma de fogo. Novas diligências apontaram ainda um imóvel usado pelo grupo em uma comunidade na região do Sacomã, na zona sul da capital.
No local usado pelo grupo para armazenar e repartir o lucro dos roubos, a polícia dimensionou o tamanho da organização. Ao todo, foram sete adultos presos e dois adolescentes apreendidos na operação. Também foram recuperadas duas armas de fogo, além de chaves de fenda, dinheiro e documentos das vítimas, reunindo material que deve ajudar a esclarecer os crimes cometidos pela quadrilha.
