O casal que comandava a loja de veículos Select Motors, em Curitiba, no Paraná, foi preso pela polícia sob suspeita de aplicar um golpe com carros consignados. Segundo a investigação, o esquema atingiu mais de 200 vítimas, que procuraram as autoridades. As prisões foram apresentadas como o resultado de meses de apuração sobre a atuação da loja.
De acordo com a polícia, o golpe consistia basicamente em a loja vender veículos consignados, em geral carros populares, e não repassar o dinheiro da venda aos proprietários. As vítimas, muitas delas pessoas simples que precisavam do dinheiro, entregavam os automóveis para serem comercializados e acabavam sem o pagamento. O valor das vendas, segundo a apuração, era transferido para a Select Motors.
O caso está distribuído em 14 inquéritos comandados pelo sétimo distrito policial. A primeira prisão do casal aconteceu em um desses inquéritos, assim como a primeira soltura, determinada pela Justiça em maio. Restam, segundo a polícia, ao menos 13 investigações paralelas que podem trazer novas prisões e novos fatos ao caso.
As detenções desta etapa ocorreram em locais diferentes. Uma das suspeitas foi presa em uma academia, enquanto o outro estava em uma residência alugada por meio de uma plataforma de locações de curta temporada. A captura encerrou um período em que os dois vinham trocando de endereço com frequência.
A polícia descobriu que, desde que deixaram a prisão em maio, o casal gastou pelo menos 16 mil reais em casas, residências e apartamentos alugados pela mesma plataforma. A mudança constante de endereço, segundo os investigadores, era uma forma de dificultar a localização pelas equipes que os procuravam.
A Select Motors mantinha duas unidades físicas no bairro Boqueirão, em Curitiba, que foram interditadas em uma ação conjunta entre a Polícia Civil, por meio do sétimo distrito policial, e o PROCON de São José dos Pinhais. A interdição buscou impedir a continuidade das negociações enquanto as apurações avançam.
Os dois suspeitos devem ficar custodiados no Rio Grande do Sul e, segundo o delegado responsável, podem ser transferidos nos próximos dias para o Paraná. As contas ligadas ao casal estão bloqueadas e monitoradas pela Justiça, e a polícia segue investigando para onde foi o dinheiro arrecadado. As autoridades alertaram ainda que quem tenha participado do esquema também pode ser responsabilizado.
