O caso da emboscada de outubro de 2024, quando torcedores organizados do Palmeiras atacaram torcedores do Cruzeiro, ganhou um novo capítulo com a suspeita de vazamento de informações dentro da própria polícia. O ataque aconteceu na rodovia Fernão Dias, em Mairiporã, na Grande São Paulo, e desde então segue sob investigação das autoridades.
Na ocasião, cerca de 300 torcedores do Palmeiras atacaram dois ônibus de cruzeirenses que voltavam do jogo contra o Atlético Paranaense. Os próprios agressores gravaram a ação. Um torcedor morreu e outros 17 ficaram feridos, em um episódio que expôs a violência ligada às torcidas organizadas no futebol brasileiro.
O Ministério Público denunciou 42 pessoas pelo caso, mas nem todas foram presas, restando ainda dez dos 42 sem prisão. Segundo a promotoria, o resultado poderia ter sido diferente: se não tivesse ocorrido o vazamento, o número de presos seria maior, o que colocou a suspeita de repasse de informações no centro da apuração.
A promotoria aponta que o principal responsável pelos vazamentos foi um investigador que trabalhava na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva, a DRAD. Ainda nos primeiros dias do inquérito, Bruno Varela teria enviado aos advogados da Mancha Alviverde a relação de veículos monitorados, o boletim de ocorrência e fotografias de relatórios produzidos na delegacia.
Por decisão da Justiça, Varela foi afastado do cargo, teve a arma e a carteira funcional recolhidas e está proibido de entrar na delegacia onde trabalhava. A investigação também alcançou o advogado Luiz Ferretti Júnior, preso desde dezembro de 2024 e denunciado por participação no ataque, à medida que a apuração ganhou novo rumo.
Em uma conversa, um integrante da torcida pergunta sobre o pagamento de propina a um informante e cita o valor de 20 mil reais. Segundo a investigação, o advogado da Mancha Alviverde Gilberto Quintanilha, chamado de Giba, aparece em uma gravação cobrando a propina que ainda não havia sido paga, ao dizer que só tinham dado dez mil reais e que seriam necessários pelo menos 20 mil para a suposta informante entre aquele dia e o seguinte.
Essa suposta policial ligada ao repasse ainda não foi identificada. A defesa de Ferretti afirmou que ele foi ouvido pela Corregedoria da Polícia Civil na semana passada e que desconhece pagamentos a policiais, enquanto o advogado de Quintanilha negou o envolvimento do cliente e disse que as mensagens foram tiradas de contexto, lembrando que ele também integrou a defesa dos policiais militares acusados pela execução de Vinícius Gritzbach; no caso do vazamento, o Ministério Público investiga o envolvimento de outros policiais, e a Polícia Civil afirma que não compactua com desvios de conduta.
