Uma discussão de trânsito terminou em morte na região do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo, e expôs mais um caso de violência envolvendo um agente de segurança fora de serviço. Segundo a reportagem, um policial militar de folga matou a tiros um homem após o desentendimento e acabou preso em flagrante ainda no local do crime.
A vítima foi identificada como Edgar, de 48 anos, que não era o motorista envolvido na confusão inicial. Ele foi baleado no momento em que tentava defender o próprio filho, que trabalha como motorista de uma van escolar e havia se envolvido em uma briga de trânsito com o policial, em uma tentativa de apaziguar a situação que acabou lhe custando a vida.
Parte do que aconteceu ficou registrada em imagens. Alunos que estavam no local acabaram gravando o instante em que Kelvin Camilo da Silva, de 32 anos, efetuou o primeiro disparo. A cena foi ainda mais delicada porque ocorreu em frente a uma escola, por volta do meio-dia, no horário de entrada e saída de alunos, com a van escolar carregada de crianças nas proximidades.
A versão da corporação, no entanto, é diferente da relatada pela família. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar, Edgar teria tentado tomar a arma do agente, que acabou disparando e atingindo a vítima no peito. Já familiares e testemunhas afirmam que o policial sacou a arma durante a discussão e atirou contra o pai do motorista, em relatos que agora terão de ser confrontados pela investigação.
A reação das autoridades foi imediata diante da gravidade do caso. O policial militar foi preso logo após os disparos, sendo detido ainda no endereço onde tudo aconteceu, o que evitou que ele deixasse o local antes da chegada das equipes que passaram a apurar a ocorrência.
A prisão, porém, não conteve a revolta de quem acompanhou a cena. Quando o policial foi levado para a viatura, houve protestos, xingamentos e pedidos de justiça, com moradores e testemunhas demonstrando indignação diante da morte de um trabalhador em uma situação que, na avaliação deles, poderia facilmente ter sido evitada.
Agora, o caso passa a ser apurado pelas autoridades em busca de responsabilização. Preso por homicídio e levado ao presídio Romão Gomes, o policial terá sua conduta investigada também pela própria corporação, que deverá decidir sobre seu futuro na função, enquanto a Polícia reconstitui os detalhes da discussão de trânsito que antecedeu os disparos fatais contra Edgar.
