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Adolescente paraguaia é resgatada de exploração em oficina de costura em São Paulo

Adolescente paraguaia é resgatada de exploração em oficina de costura em São Paulo

Uma adolescente de 15 anos, que constava como desaparecida no Paraguai, foi resgatada de um esquema de tráfico de pessoas e exploração em uma oficina de costura em São Paulo. Atraída com falsas promessas de trabalho, ela acabou presa a uma dívida e foi encaminhada à Polícia Federal.

Uma adolescente paraguaia de 15 anos foi resgatada de um esquema de exploração de trabalho em uma oficina de costura em São Paulo, em um caso que levanta a suspeita de tráfico de pessoas. Segundo reportagem da Record News, a jovem e a filha recém-nascida constavam como desaparecidas no Paraguai, onde a Polícia Nacional havia divulgado um cartaz para tentar localizá-las antes que o caso ganhasse novos contornos.

Foi justamente a partir desse desaparecimento que surgiu a suspeita de que se tratava de um esquema de aliciamento e tráfico de pessoas. As investigações apontaram que a adolescente deixou o Paraguai no dia 17 de maio e veio para São Paulo atraída pela promessa de trabalho, moradia e salário, em uma oferta que parecia ser uma oportunidade de mudar de vida.

Ao chegar, porém, a promessa se transformou em dívida. A jovem teria que trabalhar para pagar a própria estadia, em um modelo que a prendia ao local. Como não sabia costurar, ela acabou ficando responsável por cozinhar o café da manhã, o almoço e o jantar para todos os outros trabalhadores da oficina, antes de ser encaminhada à Polícia Federal após o resgate.

Na oficina de costura onde ela estava, a equipe de reportagem tentou falar com o responsável, mas ninguém atendeu. Vizinhos relataram que não têm contato com as pessoas que trabalham na casa, mas afirmam que são muitos imigrantes. Segundo os relatos, o barulho das máquinas de costura começa cedo e não tem hora certa para parar ao longo do dia.

Para entender a origem do caso, a reportagem percorreu mais de mil quilômetros até o Paraguai, atravessando a fronteira até Ciudad del Este. A região é conhecida por receber muitos turistas brasileiros em busca de compras, mas a equipe seguiu adiante, até cerca de 25 quilômetros da Ponte da Amizade, em uma periferia marcada por ruas sem asfalto, muita pobreza e casas em sua maioria de madeira.

Era nesse local que a adolescente, de apenas 15 anos, vivia ao lado da filha recém-nascida, da mãe e de cinco irmãos. Ela queria sair dali e mudar a própria realidade, mas acabou se tornando vítima de uma quadrilha especializada em tráfico humano, que a convenceu com a ideia de que no Brasil havia dinheiro, mais oportunidades e necessidade de mão de obra.

A mãe da jovem, Romilda, que conversou com a reportagem em guarani, contou que havia saído para trabalhar e, ao voltar, não encontrou mais a filha nem a neta em casa. Já são duas semanas sem notícias, e a família não tem condições de ir até São Paulo nem de contratar um advogado. O caso não é isolado, pois, segundo os dados citados, mais de 60% dos trabalhadores resgatados em situação de exploração no Brasil são paraguaios.

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