Tres brasileiros estao em Madagascar, na Africa, a espera de ajuda do governo brasileiro para voltar ao pais. Segundo o relato, eles foram atraidos inicialmente para o sudeste asiatico com a promessa de trabalhar como tradutores, mas acabaram se tornando vitimas de um esquema de trafico humano. Em um dos depoimentos, um deles resumiu a gravidade da situacao ao afirmar que, se nao tivessem dinheiro, iriam morrer.
De acordo com o relato, os tres embarcaram para o sudeste asiatico acreditando que fariam um trabalho honesto, pelo qual receberiam o equivalente a cerca de 5 mil reais por mes. Ao chegarem ao destino, no entanto, tiveram os passaportes confiscados e passaram a ser obrigados, sob fortes ameacas, a trabalhar em uma central telefonica montada para aplicar golpes.
No Camboja, os brasileiros precisavam fazer centenas de ligacoes por dia para tentar enganar vitimas no Brasil. Quando nao conseguiam ter exito no golpe, sofriam punicoes, que incluiam ate cobrancas em dinheiro sobre eles proprios. A rotina descrita expoe o funcionamento desses centros, que exploram as pessoas atraidas por falsas ofertas de emprego.
O caso se insere em uma tendencia mais ampla. Um relatorio do Ministerio da Justica identificou 84 brasileiros como vitimas do trafico internacional de pessoas em 2025, numero 33% maior do que o registrado no ano anterior. Alem disso, os chamados complexos de golpe vem se alastrando pela Africa, e a Interpol estima que esse tipo de crime movimente mais de 3 trilhoes de dolares por ano no mundo.
O trio foi transferido para Madagascar depois que investigacoes no Camboja apertaram o cerco contra as centrais telefonicas usadas para aplicar golpes. Ja em territorio africano, os tres denunciaram o esquema as autoridades brasileiras. Os criminosos, porem, descobriram a denuncia e passaram a acusa-los falsamente de roubo, o que levou o grupo a ficar preso durante 30 dias.
As condicoes relatadas durante o periodo de detencao foram descritas como precarias: no local onde dormiam havia carrapatos, pulgas, baratas e ratos, e os brasileiros afirmam ter contraido uma doenca transmitida por carrapatos, ficando bastante debilitados. Eles foram soltos no dia 15 de julho e agora aguardam a ajuda do governo para retornar ao Brasil. As autoridades informaram ter conhecimento do caso e prestar assistencia consular ao grupo.
