Um novo levantamento colocou em números um problema que muitos usuários percebem no dia a dia das plataformas digitais. Segundo o relato, o estudo apontou que a misoginia se espalha nas redes sociais, principalmente em formato de conteúdo de humor, o que ajuda a mascarar a gravidade das mensagens e a facilitar a sua circulação entre diferentes públicos.
O dado central da pesquisa dá a dimensão do fenômeno. De acordo com o relato, o estudo concluiu que 65,2% das mensagens analisadas se enquadram na categoria de misoginia alta ou extrema, um percentual que mostra que a maior parte do material examinado não estava em uma zona cinzenta, mas sim em níveis considerados graves pelos pesquisadores.
O trabalho tem origem em um centro acadêmico voltado ao estudo do ambiente digital. Segundo o relato, a pesquisa foi conduzida pelo Laboratório de Humanidades Digitais da Universidade Federal da Bahia, e um dos responsáveis pelo estudo, o coordenador Leonardo Nascimento, foi quem explicou como o levantamento foi construído e o que motivou a equipe a realizá-lo.
A escolha do tema esteve ligada ao próprio momento do debate público. De acordo com o relato, Nascimento afirmou que o trabalho foi motivado pelas discussões dos últimos meses sobre a misoginia nas redes, um contexto que levou o grupo a decidir investigar de forma mais sistemática como esse tipo de conteúdo se manifesta nas plataformas.
Houve também uma mudança de foco em relação a pesquisas anteriores do próprio grupo. Segundo o relato, enquanto boa parte do trabalho anterior estava centrada no conteúdo textual, desta vez os pesquisadores se voltaram para vídeos e imagens, ampliando o alcance da análise para os formatos que hoje dominam boa parte da circulação de conteúdo nas redes.
Para dar conta desse volume de material, a equipe recorreu a recursos tecnológicos. De acordo com o relato, os pesquisadores utilizaram ferramentas de inteligência artificial para fazer a classificação automaticamente, combinando dois algoritmos que trabalham de maneiras diferentes, mas complementares, na leitura das imagens e dos vídeos coletados.
A metodologia buscou aliar detecção automática e critérios definidos pela literatura da área. Segundo o relato, um dos algoritmos foi treinado para detectar nudez a partir de dezenas de milhares de imagens, enquanto um grande modelo de linguagem foi treinado para descrever os elementos das fotos seguindo critérios baseados na literatura científica, escalonando os graus de violência em baixo, médio e alto, o que permitiu chegar ao retrato quantitativo apresentado pelo estudo.
