Vanessa é a única sobrevivente de um acidente ocorrido no lago da usina Realma, no Rio Caiapó, em Goiás, em que uma canoa despencou de uma queda d'água de 31 metros. A tragédia deixou três mortos, entre eles o namorado dela, Maxwell. Cerca de um mês depois do acidente, ela revelou pela primeira vez os detalhes dos momentos desesperadores que viveu, ainda com marcas nos braços, nos joelhos e nos pés.
Tudo começou em um churrasco de domingo com amigos, em um rancho às margens do Rio Caiapó. Vanessa conta que estava apreensiva e que não queria ter ido ao passeio, como se algo lhe dissesse para não ir. Ela ficou bem quieta, sem interagir muito com o grupo. Mesmo assim, acabou embarcando na canoa com o namorado Maxwell e os amigos Ednei e Mábia para passear pelo lago da usina.
Segundo Vanessa, ela era a única na embarcação usando colete salva-vidas, equipamento que havia sido comprado pelo amigo Ednei. Como o colete ficou pequeno para ele, acabou sendo usado por ela. Ednei conduzia a canoa e, como a usina fica bem próxima da barragem, o grupo foi se aproximando da área de risco, perto da queda d'água.
Vanessa relata que os colegas haviam bebido e estavam um pouco alterados. A amiga Mábia chegou a alertar que era muito perigoso e pediu para voltarem, mas a canoa continuou se aproximando da borda. Ela diz não ter certeza se o motor chegou a ser desligado e que, quando percebeu a proximidade da queda, fechou os olhos e não viu mais nada antes do tombo.
Na queda sobre as pedras, Vanessa perdeu tecido e ainda sofreu outro ferimento grave. Ela conta que tentou se levantar, ficou de pé por apenas um segundo, desmaiou e bateu a cabeça na pedra novamente, o que provocou um corte profundo. Com dores fortes no joelho, nos pés e na coluna, ela chegou a acreditar que havia quebrado a coluna.
A partir dali, começou uma longa espera por socorro que durou cerca de 40 horas, com a jovem ferida sobre as pedras do rio. Ela ouvia o barulho das equipes de busca, percebeu o som de uma moto muito próxima e chegou a ver a luz de uma lanterna do lado esquerdo de onde estava. Gritou muito, mas não foi ouvida por causa do barulho da água, e depois veio um silêncio total, como se todos tivessem ido embora. Na segunda noite, não conseguiu dormir de medo e, para sobreviver, chegou a se arrastar pelas pedras para beber água do Rio Caiapó. Só na terça-feira ela foi encontrada, politraumatizada, perto do vertedouro, a cerca de 50 metros da barragem.
Durante o tempo em que ficou caída, Vanessa diz que pensou muito na mãe e na avó, lembrando que havia perdido o avô apenas dois meses antes. Encontrá-la com vida foi descrito como um milagre, já que a queda foi de grande altura e o resgate demorou. Enquanto ela se recupera dos ferimentos, a tragédia segue marcada pela perda dos três amigos que estavam na canoa naquele passeio de domingo.
