Quatro homens de uma mesma família foram mortos em uma chacina em Cariacica, no Espírito Santo, em um crime atribuído à facção criminosa Terceiro Comando Puro. As vítimas foram identificadas como Juan Carlos da Silva Ribeiro, Jean de Castro Souza, Hélio da Silva Souza e Carlos Daniel Rocha dos Santos. Em uma única tragédia, uma mulher perdeu o marido, o pai, o avô e o cunhado.
Segundo familiares, os quatro eram conhecidos por trabalharem muito e não tinham qualquer ligação com práticas criminosas. A família, que pediu para ter a identidade preservada, está traumatizada e com dificuldade de aceitar que uma simples visita familiar tenha terminado daquela forma. Para a esposa de uma das vítimas, o marido era um homem trabalhador e pai de família que não merecia o que aconteceu.
De acordo com o relato, a família havia se reunido para visitar o pai e os homens foram ajudar a cortar madeira no terreno, onde eram feitas tábuas. Durante o trabalho, dois homens passaram de moto e checaram se o grupo cumpria uma regra imposta na região: todo morador precisaria abaixar a cabeça quando integrantes da facção passassem, em um gesto de submissão ao poder do grupo. Um dos homens teria se recusado a seguir a ordem.
Depois da recusa, os dois homens foram embora e voltaram mais tarde acompanhados de outros dois. Eles atiraram contra os cinco que estavam no local, mataram quatro e deixaram a área com tranquilidade. Apenas um sobreviveu, e a mata ainda guardava marcas de sangue deixadas por ele. Para a polícia, não há dúvidas de que o crime foi premeditado.
As investigações apontam que as quatro mortes aconteceram por um único motivo: a resistência ao domínio da facção. Havia uma desavença desde 2021 entre a família e o tráfico de drogas, que vinha se expandindo territorialmente. A família não queria que a comercialização de entorpecentes se alastrasse para perto da residência, onde vivem muitas crianças.
O atrito com o grupo criminoso já havia provocado uma primeira morte na família, a do caçula, Elinho, de 22 anos. Até o momento, dois homens suspeitos de envolvimento nas mortes foram presos, e a área é considerada um dos principais pontos de atuação do tráfico na cidade. Os investigadores reforçam que as vítimas não tinham relação com o crime organizado.
O caso reflete um fenômeno que se espalha pelo Brasil na mesma velocidade da expansão das facções criminosas. Segundo um estudo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, organizações originalmente concentradas no Rio de Janeiro e em São Paulo avançaram para todos os estados do país e estimularam a criação de novos grupos em todas as regiões, em números que só crescem. A imposição de regras pela violência, como a registrada em Cariacica, é apontada como uma das marcas desse avanço.
