Uma perseguição a criminosos em um carro blindado assustou moradores de Indaiatuba, no interior de São Paulo, a cerca de 100 quilômetros da capital. A cidade, com cerca de 270 mil habitantes, é apontada como uma das mais seguras do país, o que tornou o episódio ainda mais marcante para quem acompanhou a ação.
A dimensão do caso chamou a atenção das próprias autoridades. Um patrulheiro da Guarda Civil afirmou que, em 34 anos de experiência, nunca havia vivido uma ocorrência igual a essa. Indaiatuba foi eleita pelo Atlas da Violência como a cidade mais segura do Brasil na faixa de 200 mil a 500 mil habitantes, com uma taxa de 5,6 homicídios por 100 mil habitantes, muito distante da cidade mais violenta no levantamento, Maranguape, no Ceará, com mais de 87.
A segurança da cidade se apoia principalmente na vigilância eletrônica, com milhares de câmeras espalhadas pelos bairros funcionando dia e noite. Foi justamente uma dessas câmeras que emitiu um alerta sobre um carro suspeito que seguia em direção ao centro na madrugada de segunda-feira.
O veículo era um carro clonado. De acordo com o relato, ele já havia passado por Indaiatuba cerca de um mês antes, mas, no mesmo dia e horário, também havia circulado em Porto Alegre, o que levantou a suspeita de clonagem. A partir do alerta, uma viatura da Guarda Civil foi acionada para abordar o carro.
Ao receber a ordem de parada por sinais sonoros, o motorista não obedeceu e acelerou, dando início à perseguição por volta das 4h37, com duas viaturas acompanhando o veículo de perto. Em determinado trecho, os ocupantes chegaram a tentar colocar um fuzil para fora do carro, e moradores registraram o barulho dos disparos.
A fuga só terminou quando os criminosos entraram em um condomínio de luxo e pararam em uma rua sem saída. Começou então uma negociação, que ficou ainda mais tensa quando os ocupantes afirmaram manter um refém dentro do carro, com uma voz ao fundo pedindo para que nada lhe fosse feito. Um oficial da Polícia Militar de Campinas assumiu as negociações.
O negociador avaliou que a chance de haver reféns era pequena, já que o veículo não havia parado em nenhum momento ao longo do trajeto monitorado pelo radar inteligente da Guarda Civil. Cercados por dezenas de policiais e guardas civis, os criminosos acabaram se entregando, incluindo dois que estavam no banco de trás.
Após a rendição, os agentes fizeram a varredura do veículo e a busca pessoal nos três detidos. Foram encontrados pistolas, fuzis, metralhadoras, coletes à prova de balas e muita munição, parte dela do tipo perfurante, usada contra blindagem. Os três homens presos são de São Paulo e têm passagens pela polícia por roubo e receptação, e o que pretendiam fazer naquela madrugada segue sob investigação.
