Uma mulher que se passava por advogada e herdeira de um patrimônio milionário para aplicar golpes com obras de arte e imóveis de luxo no Rio de Janeiro foi detida pela polícia. A farsa, que vinha sendo sustentada com uma imagem de riqueza e influência, acabou desmontada ao longo das investigações que apuravam os negócios conduzidos por ela na cidade.
A suspeita, identificada como Michele Coelho Montenegro, foi detida em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Segundo as apurações, ela construía toda uma situação em torno de si mesma, apresentando-se como uma pessoa de posses, alguém muito rico, o que ajudava a conquistar a confiança das pessoas com quem fazia negócios.
No caso que está sob investigação, Michele teria se apropriado de obras de arte sob a justificativa de que iria negociá-las com uma determinada galeria. A estratégia se apoiava na imagem de uma mulher conectada ao mercado, capaz de intermediar vendas de alto valor e abrir portas para colecionadores e investidores no setor artístico.
A vítima desse episódio é o dono de uma galeria, que entregou à golpista quatro obras de arte avaliadas em cerca de 10 milhões de reais. Ela garantiu que tinha contatos no mercado e prometeu que faria a intermediação da venda das peças, mas os quadros nunca foram devolvidos, o que levou o caso ao conhecimento das autoridades.
Durante as investigações, uma das obras acabou recuperada pela polícia. Trata-se de uma tela do pintor Ivan Serpa, da década de 1960, encontrada na casa de um advogado em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, o que indicou um possível caminho percorrido pelas peças depois de saírem das mãos do dono da galeria.
Em razão disso, Felipe Barbosa Bittencourt foi preso por receptação. Ele negou envolvimento no esquema e alegou que teria recebido a obra como pagamento pelos serviços prestados a Michele, versão que agora passa a ser avaliada dentro do conjunto da investigação conduzida pelas autoridades policiais no Rio de Janeiro.
De acordo com as informações do caso, Michele já possui antecedentes criminais por outros golpes. Além da apropriação das obras de arte, ela também teria lesado a mesma vítima na suposta venda de um apartamento de luxo em Copacabana, reforçando o padrão de fraudes envolvendo bens de alto valor que vinha sendo atribuído a ela no Rio de Janeiro.
