A polícia do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério Público, realizou uma operação para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Comando Vermelho que movimentou mais de cento e dezasseis milhões de reais ao longo de quatro anos. A investigação levou as autoridades até à fronteira do Brasil com o Paraguai, onde funcionava uma das principais estruturas usadas pela organização criminosa.
Uma concessionária de veículos localizada em Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, é investigada como peça central do esquema de lavagem. O município fica na fronteira com o Paraguai e possui localização estratégica para o tráfico internacional de drogas e armas, servindo como ponto de passagem para os recursos ilícitos da facção.
O dono da concessionária, Cláudio Martinelli Neto, foi preso por porte ilegal de armas num condomínio de luxo em Campo Grande, a capital do estado. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, outro homem também foi detido pelo mesmo tipo de crime, ampliando o alcance da operação.
A investigação teve início com a apreensão de extratos bancários numa comunidade da zona norte do Rio de Janeiro. Os documentos revelaram que os depósitos eram feitos de forma fracionada nas contas de laranjas, utilizando valores pequenos para dificultar a identificação pelos sistemas automáticos de controle financeiro.
Segundo as autoridades, a finalidade do esquema era que os operadores financeiros comprassem drogas com o dinheiro lavado e devolvessem o equivalente em entorpecentes para o crime organizado, criando um ciclo contínuo de reciclagem de recursos ilícitos que sustentava as operações do Comando Vermelho.
A quadrilha utilizava métodos sofisticados para evitar a detecção, incluindo o uso de codinomes e mensagens criptografadas que só podiam ser lidas por quem possuísse a senha de acesso. Os membros da organização também trocavam de telemóvel com frequência para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Além da fronteira com o Paraguai, a polícia cumpriu mandados de busca em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, demonstrando a dimensão nacional do esquema. Computadores e telemóveis apreendidos durante a operação serão analisados para identificar outros envolvidos e mapear a totalidade da rede de lavagem de dinheiro.
