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Estudo aponta tarifa zero no ônibus em 143 municípios, maioria em cidades pequenas

Estudo aponta tarifa zero no ônibus em 143 municípios, maioria em cidades pequenas

Levantamento da NTU mostra que 143 municípios brasileiros já adotam a tarifa zero no transporte público, sendo 73% em cidades com até 50 mil habitantes. O estudo aponta que algumas prefeituras desistem do modelo e voltam a cobrar a passagem.

Um levantamento da NTU, a Associação Nacional de Transportes Urbanos, mostra que a tarifa zero no transporte público já é realidade em 143 municípios brasileiros. O estudo indica que, embora o número de cidades que adotam o sistema venha aumentando ao longo dos anos, o modelo se mostra viável principalmente nos municípios menores.

Dos 143 municípios que possuem a tarifa zero, 73% dos casos estão em cidades com até 50 mil habitantes. Segundo o levantamento, essas cidades são caracterizadas por sistemas de transporte com redes menores, o que faz com que a totalidade de recursos necessária para custear o sistema não seja tão significativa, muitas vezes coberta pelos próprios orçamentos municipais.

De acordo com o diretor técnico da NTU, Matheus Freitas, ao adotar a tarifa zero o município registra de forma imediata um aumento de demanda bastante significativo. Para atender esse crescimento, é preciso ofertar mais serviço, o que implica em aumento de custo para o sistema de transporte.

Diante disso, as cidades se deparam com pressão nos orçamentos municipais e com seus limites fiscais. Em alguns casos, segundo o estudo, não há outra opção a não ser retroagir na medida, ou seja, há prefeituras que desistem da gratuidade universal e voltam a cobrar a passagem dos usuários.

O levantamento também associa a qualidade do serviço à infraestrutura e ao financiamento. Sistemas como BRTs, corredores de ônibus e faixas exclusivas garantem maior velocidade operacional e pontualidade, mas dependem de uma política de financiamento sustentável. Cidades como Maricá bancam a tarifa zero com recursos específicos, no caso, os royalties do petróleo.

Outro ponto levantado é o vale-transporte, apontado como uma fonte importante para o custeio da operação. Segundo a NTU, esse benefício trabalhista perdeu relevância ao longo do tempo, sobretudo diante das mudanças recentes no mercado de trabalho e nas relações trabalhistas, o que afeta o financiamento do sistema.

Para a entidade, o custeio das gratuidades já existentes, como as de estudantes, idosos e pessoas com deficiência, deveria ser garantido pelos fundos responsáveis por essas políticas públicas. A proposta é avançar para um pacto federativo entre União, Estados e Municípios, com corresponsabilidade no financiamento da operação do transporte.

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