Uma história de honestidade chamou a atenção no interior do Mato Grosso do Sul. Em Sidrolândia, cidade onde vivem cerca de 50 mil pessoas, a gari Thelma viu sua conta receber, de uma só vez, mais de R$ 200 mil. Servidora pública que trabalha varrendo as ruas há mais de 27 anos, ela se viu diante de uma quantia de dinheiro que jamais havia imaginado ter, e a reação que teve acabou servindo de lição para muita gente.
Para Thelma, o valor representava algo distante de sua realidade. Ela contou que, trabalhando cem anos, não conseguiria juntar aquele dinheiro, e brincou que, ao ver o depósito, quase não foi trabalhar, porque já estava rica. Pelos cálculos apresentados, ela precisaria trabalhar cerca de dez anos, sem gastar um único centavo, para reunir o mesmo montante que apareceu de uma hora para outra em sua conta.
A surpresa logo se espalhou entre os familiares, e por um tempo o dinheiro inesperado fez a alegria da família. O filho de Thelma, Giovanni, não acreditou quando viu o celular da mãe com aquele saldo. Ela mesma admitiu que não é muito de fazer transações pelo telefone e que prefere a cédula ao Pix, porque, segundo ela, o dinheiro em papel não se gasta sem que a pessoa perceba, enquanto pelo Pix some sem que se veja para onde foi.
Ao verificar com calma, Thelma descobriu que não havia recebido uma única transferência, mas várias, que somadas chegaram a R$ 203.636,97. Ela relatou que, quando mostrou a situação às colegas de trabalho, comentou em tom de brincadeira que quase não havia ido trabalhar, justamente por causa do susto e da empolgação com a quantia que apareceu sem explicação aparente.
A origem do dinheiro foi um erro de digitação. O valor saiu da Federação do Clube de Laço de Mato Grosso do Sul, que fica em Campo Grande, e um único dígito errado fez a conta da Thelma passar de R$ 140 para mais de R$ 203 mil. Como a chave Pix dela é o número do próprio celular, foi por esse contato que um funcionário do setor financeiro da Federação a procurou para avisar sobre o engano e pedir a devolução.
Diante do pedido, Thelma disse ao funcionário que poderia ficar tranquilo, que devolveria o dinheiro, mas que antes iria verificar a própria conta. Ela se encontrou pessoalmente com o representante da Federação, e o valor foi devolvido em menos de 24 horas. Ao falar sobre a decisão, a gari demonstrou que não pensou em ficar com o que não era seu, mesmo diante de uma soma que mudaria sua vida, e resumiu o sentimento dizendo que se sentia importante por ter feito o que considerava certo, tudo por causa de um Pix.
