Mais de trezentas pessoas marcharam pelas ruas de Coimbra no sabado, assinalando o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia. A manifestacao, que percorreu as principais artérias da cidade universitaria, reuniu cidadaos de todas as idades e organizacoes da sociedade civil que exigem mais proteccao legal e social para a comunidade LGBTQIA+ em Portugal.
A marcha partiu da Praca da Republica e seguiu ate ao Largo da Portagem, com os participantes a exibirem cartazes com mensagens de igualdade e respeito pela diversidade. Ao longo do percurso, houve discursos de activistas e representantes de associacoes de defesa dos direitos humanos, que sublinharam que apesar dos avancos legislativos das ultimas decadas, a discriminacao no quotidiano continua a ser uma realidade para muitas pessoas.
O Presidente da Republica enviou uma mensagem de apoio ao evento, afirmando que estara sempre ao lado de todas as pessoas que enfrentam discriminacao. A declaracao foi lida durante a concentracao e foi recebida com aplausos pelos participantes. A presenca institucional reforça o caracter transversal da luta contra a discriminacao em Portugal.
Os organizadores destacaram que a escolha de Coimbra como palco da manifestacao nao e casual. A cidade, que alberga uma das mais antigas universidades da Europa, tem sido historicamente um espaco de debate e de avanco social. A comunidade estudantil desempenhou um papel fundamental na mobilizacao para o evento, com varias associacoes academicas a participarem activamente na organizacao.
Entre as reivindicacoes apresentadas pelos manifestantes estao a criminalizacao efectiva das chamadas terapias de conversao, o reforço dos mecanismos de proteccao contra a violencia motivada pela orientacao sexual ou identidade de género, e a inclusao de conteudos sobre diversidade nos curriculos escolares. Os activistas argumentam que a legislacao portuguesa, embora progressista em muitos aspectos, ainda apresenta lacunas que permitem situacoes de discriminacao sistémica.
A data de 17 de Maio foi escolhida internacionalmente para assinalar a remocao da homossexualidade da lista de doencas mentais pela Organizacao Mundial de Saude, em 1990. Em Portugal, as marchas multiplicaram-se nas ultimas décadas, com eventos semelhantes a decorrer em Lisboa, Porto e outras cidades do pais ao longo do mes de Maio.
Para os participantes da marcha de Coimbra, o evento representa mais do que um protesto: é uma celebracao da identidade e uma afirmacao publica de que a diversidade enriquece a sociedade portuguesa. A presenca de familias com criancas, casais de todas as orientacoes e cidadaos de diferentes geracoes demonstrou que a luta pelos direitos LGBTQIA+ é cada vez mais uma causa abraçada pela sociedade no seu conjunto.
