A produção de motocicletas no Brasil disparou no primeiro semestre e chegou ao maior patamar em 15 anos, num sinal de fôlego para um dos setores mais dinâmicos da indústria nacional. O desempenho reforça o peso das duas rodas no dia a dia do país, tanto como meio de transporte quanto como ferramenta de trabalho, e coloca o segmento em evidência dentro do cenário industrial brasileiro.
O avanço vem acompanhado de uma marca simbólica para a indústria. De acordo com o relato, o polo industrial de Manaus alcançou o número histórico de 40 milhões de motocicletas produzidas desde o início das operações, um total acumulado que ajuda a dimensionar a importância da capital amazonense como principal centro de fabricação de motos do país ao longo de décadas de atividade.
Apesar do bom resultado do semestre, o mês de junho ficou abaixo do esperado. Segundo o relato, foram 130 mil unidades produzidas no mês, o que representou uma queda de 15% em relação ao mesmo mês de 2025, um recuo pontual que contrasta com o desempenho positivo acumulado ao longo da primeira metade do ano e que chamou a atenção dentro dos números do setor.
A explicação para essa retração mensal, no entanto, não estaria ligada à demanda. De acordo com o relato, a Abraciclo, entidade que representa o setor, apontou as férias coletivas programadas pelas fabricantes como causa do recuo registrado em junho, o que indica que a queda esteve mais relacionada ao calendário de produção das empresas do que a uma perda de ritmo do mercado.
No balanço mais amplo, os números seguem em terreno positivo. Segundo o relato, houve um crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2025, e o resultado veio após o licenciamento de 194 mil unidades em junho, indicadores que ajudam a mostrar como a comercialização e a saída dos veículos para as ruas acompanharam o aquecimento da produção ao longo do semestre.
As projeções para o restante do ano também apontam para cima. De acordo com o relato, a entidade previu uma alta de 4,6% até o fim de 2026, com o setor alcançando 2,3 milhões de unidades, uma estimativa que consolida a expectativa de que a indústria de motocicletas mantenha o ritmo de crescimento observado nos primeiros meses do ano.
O mercado externo completou o quadro de expansão do setor. Segundo o relato, as exportações também tiveram alta, com as fabricantes enviando 24 mil motos para outros mercados no semestre, um avanço de 29% em relação ao mesmo período do ano passado, e a entidade acredita que o país termine o ano com 45 mil motocicletas exportadas, reforçando a presença brasileira no comércio internacional de duas rodas.
