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Brasil perde 18% da vegetacao nativa em 40 anos, diz MapBiomas

Brasil perde 18% da vegetacao nativa em 40 anos, diz MapBiomas | AVALW News

Novos dados da plataforma MapBiomas mostram que o Brasil perdeu cerca de 18% da sua cobertura de vegetacao nativa em aproximadamente 40 anos, entre 1985 e 2025. No mesmo periodo, a area ocupada pela agropecuaria quase dobrou, avancando sobre regioes onde a vegetacao natural desapareceu. A Amazonia e o Cerrado lideram as perdas em numeros absolutos, mas, na proporcao, o Cerrado foi o bioma mais afetado.

O Brasil perdeu cerca de 18% da sua cobertura de vegetacao nativa em aproximadamente 40 anos, segundo novos dados divulgados pela plataforma MapBiomas. O levantamento acompanha a evolucao do uso do solo no pais entre 1985 e 2025, em recortes de cinco em cinco anos, e revela uma reducao continua das areas de mata natural ao longo de quatro decadas. Em paralelo a essa queda, os dados apontam um avanco expressivo da agropecuaria, que quase dobrou no mesmo periodo e possivelmente ocupou boa parte das areas onde a vegetacao natural desapareceu.

A trajetoria de queda da vegetacao nativa fica clara quando se observa a serie historica. Em 1985, a cobertura natural representava 79% do territorio analisado, percentual que foi recuando de forma gradual a cada recorte de cinco anos, passando por 77%, 74% e 72%, e seguindo em queda nos anos seguintes. Em 2020, a vegetacao nativa ja aparecia com 66,9% e, no fechamento de 2025, chegou a 64,9%, confirmando a perda acumulada ao longo de todo o intervalo estudado pelo MapBiomas.

No sentido oposto, a agropecuaria seguiu uma curva de alta consistente durante os mesmos 40 anos. A area destinada a atividade cresceu de recorte em recorte ate atingir 30,2% em 2020 e 32,1% no ultimo levantamento, referente a 2025. Esse crescimento foi puxado tanto pela expansao das areas de pastagem quanto pelo avanco da agricultura, que foram ganhando espaco em diferentes regioes do pais a medida que a cobertura natural era reduzida.

Para os pesquisadores, ha uma correlacao evidente entre os dois movimentos. A partir do instante em que a vegetacao nativa foi desaparecendo em diversas regioes, a substituicao por areas produtivas foi acontecendo de forma direta, com a pastagem e a agricultura ocupando terrenos antes cobertos por mata. Esse processo de troca, segundo a analise, ajuda a explicar por que a curva da agropecuaria sobe praticamente na mesma proporcao em que a curva da vegetacao natural desce ao longo das quatro decadas.

Os dados tambem detalham quais biomas mais perderam vegetacao natural, tanto em numeros absolutos quanto proporcionais. Em hectares, a Amazonia aparece na frente, com 53,9 milhoes de hectares perdidos, seguida de perto pelo Cerrado, com 51,9 milhoes de hectares. Depois vem a Caatinga, com 10,1 milhoes, a Mata Atlantica, com 4,9 milhoes, o Pampa, com 4 milhoes, e o Pantanal, com 1,9 milhao de hectares, fechando a lista dos biomas analisados no estudo.

Quando a analise leva em conta a proporcao de cada bioma, porem, o quadro muda de figura. Embora a Amazonia lidere em numeros absolutos, foi o Cerrado que registrou as perdas proporcionalmente mais significativas, superando ate mesmo a Amazonia nesse recorte. Isso significa que, em relacao ao proprio tamanho, o Cerrado foi a regiao onde a mata nativa mais desapareceu, o que reforca a pressao sobre esse bioma ao longo do periodo estudado.

O estudo do MapBiomas, organizado em recortes de cinco em cinco anos, mostra ainda que parte importante da reducao ja se manifestava com forca na primeira metade da serie, a partir de meados da decada de 1980. Segundo a analise, a mudanca na paisagem foi atingindo as diferentes regioes com intensidade crescente, ao ponto de dificultar ate mesmo uma reestruturacao das areas afetadas. O retrato de 40 anos ajuda a dimensionar o avanco da atividade produtiva sobre a vegetacao natural do pais.

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