A cada tempo, um novo tipo de entorpecente e criado nos laboratorios do trafico ao redor do mundo, o que dificulta o trabalho das autoridades. No Brasil, o problema ja chegou aos laboratorios oficiais: no Instituto de Criminalistica de Sao Paulo, os peritos identificaram apenas neste ano tres novas substancias que passaram a circular no mercado ilegal. O ritmo com que essas drogas surgem tornou-se um dos maiores desafios para quem investiga o trafico e para quem atende as vitimas de intoxicacao.
Para enfrentar esse cenario, foi firmada uma parceria entre a Policia Cientifica e o Centro de Informacoes Toxicologicas, o Ciatox, da Unicamp, em Campinas. O objetivo do acordo e facilitar a identificacao das novas drogas sinteticas que circulam pelo estado de Sao Paulo. A uniao entre a pericia criminal e um centro toxicologico de referencia busca dar mais agilidade a um processo que ate agora costumava ser lento e fragmentado entre os orgaos.
O ponto central da iniciativa e uma plataforma chamada NSP Monitor. Pela primeira vez, os dados de apreensoes policiais, as analises laboratoriais e os registros hospitalares de intoxicacao serao reunidos e compartilhados em um mesmo sistema. Ate entao, essas informacoes ficavam dispersas entre diferentes instituicoes, o que atrasava tanto a resposta da area da saude quanto a das forcas de seguranca diante de uma nova substancia.
A proposta e criar uma base de dados alimentada pela propria policia, capaz de revelar os numeros reais por tras dessas substancias. Com o sistema, as autoridades pretendem saber quantas drogas novas surgem, de onde elas vem e para onde vao. Esse mapeamento deve ajudar a entender as rotas e a dimensao do problema, oferecendo um retrato mais preciso do avanco das drogas sinteticas no estado de Sao Paulo.
Um dos grandes desafios apontados e descobrir rapidamente os efeitos e os riscos de cada novo entorpecente. Como muitas dessas substancias sao ineditas, pouco se sabe sobre o impacto que provocam no organismo de quem as consome. A demora nessa identificacao pode custar caro, sobretudo quando um usuario chega a um hospital sem que a equipe medica saiba exatamente com qual tipo de droga esta lidando naquele atendimento.
Com a criacao do sistema, as equipes nos hospitais passarao a receber alertas sobre as novas drogas em circulacao. Esses avisos devem permitir um atendimento mais efetivo aos pacientes intoxicados, que poderao ser tratados de forma mais adequada a partir de informacoes atualizadas. A expectativa e que o compartilhamento agil das analises reduza o risco de erros no socorro a quem da entrada nas unidades de saude com sinais de intoxicacao.
Segundo os responsaveis pelo projeto, o sistema traz um beneficio duplo. De um lado, a rede de saude passa a atuar melhor no tratamento do usuario que chega intoxicado; de outro, a policia ganha condicoes de trabalhar na reducao da demanda e da circulacao dessas drogas. A implantacao da plataforma sera feita por etapas, e o projeto deve ter duracao de quatro anos ate estar plenamente em funcionamento no estado.
