O presidente Lula recebeu no Palácio do Alvorada o advogado que defende o seu filho, conhecido como Lulinha, em um encontro que não constava da agenda oficial do presidente. A conversa se estendeu por mais de três horas e ganhou destaque justamente por ocorrer em meio às investigações que envolvem o filho do presidente.
O advogado é Marco Aurélio de Carvalho, que, além de defensor de Lulinha, é amigo do presidente e atua como articulador político. Segundo o apurado, ele deixou o Alvorada por volta das dez e meia da noite, encerrando uma reunião longa e que atraiu atenção pelo momento em que aconteceu.
Após o encontro, a equipe de reportagem conversou com o advogado, que afirmou que a conversa foi sobre a campanha eleitoral em São Paulo, que inclui a participação do candidato ao governo do estado, Fernando Haddad. Ele reconheceu, porém, que a reunião também tratou dos inquéritos que envolvem Lulinha.
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é investigado por suspeita de tráfico de influência e corrupção. De acordo com o que veio a público, ele é alvo de três inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal, o que colocou o filho do presidente no centro de uma disputa jurídica e política.
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se Lulinha teria atuado em favor do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações com o Ministério da Saúde. Outra suspeita é a de que ele teria agido junto ao mesmo ministério em negociações ligadas ao processo de autorização para a comercialização da cannabis medicinal.
Diante do cenário, o presidente Lula teria insistido, segundo o relato, que o filho não deve ser tratado acima da lei. A fala procura posicionar a família em meio à pressão gerada pelas apurações, num momento em que qualquer gesto ligado ao caso ganha repercussão política.
Já o advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou os vazamentos da investigação como criminosos e afirmou que eles têm motivação político-eleitoral. Enquanto as versões se chocam, os inquéritos seguem em andamento no Supremo, mantendo o caso sob os holofotes às vésperas de um novo ciclo eleitoral.
