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Policia Federal investiga furto de amostras de virus na Unicamp

Policia Federal investiga furto de amostras de virus na Unicamp | AVALW News

Um casal de pesquisadores e investigado pela Policia Federal sob acusacao de retirar caixas com amostras de virus de um laboratorio de biosseguranca da Unicamp, em Campinas. Cameras de seguranca registraram movimentacoes fora da rotina desde novembro do ano passado, e em uma busca a PF encontrou seis caixas de material biologico na geladeira da cozinha do casal. Soledad Palameta Miller e Michael Edward Miller sao investigados por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismos geneticamente modificados.

A Policia Federal investiga o desaparecimento de amostras de virus retiradas de um laboratorio de biosseguranca que funciona no predio do Instituto de Biologia da Unicamp, em Campinas, no interior de Sao Paulo. Foi desse laboratorio que sumiram materiais biologicos considerados sensiveis, e o inquerito policial detalha passo a passo como as retiradas teriam acontecido. O caso chegou a apuracao depois que a responsavel pelo laboratorio levou a denuncia a reitoria da universidade.

No centro da investigacao esta um casal de pesquisadores, Soledad Palameta Miller e o marido, Michael Edward Miller, acusados de retirar do laboratorio caixas com amostras de virus. A denuncia partiu de Clarice Armes, professora responsavel pelo laboratorio de virologia e biotecnologia, que havia sido professora de Soledad e passou a responder tambem por outro laboratorio, o de engenharia de alimentos. Foi a partir dessa denuncia que a Unicamp e depois a policia passaram a reconstruir o que teria ocorrido.

As cameras de seguranca do laboratorio registraram movimentacoes diferentes da rotina da universidade desde novembro do ano passado. As imagens mostram que o casal conhecia bem o local e transitava por ele com familiaridade. Segundo o inquerito, durante tres meses Michael, que tambem e pesquisador, teve livre acesso ao espaco e apareceu em periodos sem aula ou presenca de alunos, como em uma visita depois das dez da noite e ate proximo da meia-noite no dia 24 de fevereiro.

Em varios desses registros, feitos a noite, Michael aparece sem usar as roupas de protecao obrigatorias em um local classificado como de seguranca maxima, e em algumas imagens sai carregando caixas de papelao e sacos plasticos. Em outra ocasiao, Soledad abriu o chamado biofreezer, equipamento capaz de atingir temperaturas muito abaixo de zero, onde sao guardadas as amostras, e deixou o laboratorio levando caixas de isopor. Entre os materiais citados no caso estao coronavirus humano e cepas que podem infectar animais, como a gripe suina e a aviaria.

O casal mora em um condominio na zona rural de Campinas, a cerca de vinte minutos de carro da Unicamp. Em marco, ao cumprir um mandado de busca e apreensao na residencia, a Policia Federal encontrou seis caixas com materiais biologicos guardadas na geladeira da cozinha, usada no dia a dia pela familia. Ao todo, cerca de 270 frascos foram recolhidos da casa da pesquisadora, e outros materiais foram recuperados em um segundo laboratorio, alguns deles com as iniciais do nome dela.

O depoimento de uma aluna, ao qual a reportagem teve acesso, aponta um possivel motivo para o sumico das amostras. Segundo a estudante, Soledad afirmava que os materiais pertenciam a ela e teriam sido trazidos de um trabalho anterior, e desconfiava que a antiga professora usaria as amostras de forma indevida. Juntas, Soledad e Clarice registraram no Instituto Nacional da Propriedade Industrial uma pesquisa apontada como um metodo que pode facilitar o desenvolvimento de vacinas, incluindo contra a gripe aviaria, e a disputa pelo controle desse estudo, inclusive comercial, pode ter sido o estopim da denuncia.

Soledad e Michael tem uma empresa de biotecnologia instalada dentro do parque tecnologico da Unicamp, e a Policia Federal apura se o material retirado do laboratorio seria usado nesse negocio. O casal e investigado pelos crimes de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismos geneticamente modificados. A defesa conseguiu na justica suspender as investigacoes na Policia Federal e nao se pronunciou sobre o caso, e Clarice Armes nao respondeu aos contatos. Segundo a Unicamp, o material retirado nao foi exposto e nao ofereceu risco de contaminacao, e as amostras estao guardadas fora da universidade, em um laboratorio do Ministerio da Agricultura, ate o fim das investigacoes.

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