O Ministério Público do Amazonas e a Polícia Federal deflagraram uma operação para tentar acabar com uma quadrilha que usava aviões para transportar drogas pelo país. Batizada de Operação La Máquina, a ação foi realizada no Amazonas e em mais sete estados da federação. O objetivo era desarticular uma organização criminosa que havia montado uma estrutura própria para escoar entorpecentes a partir do estado.
De acordo com a investigação, o grupo se apoiava em uma logística sofisticada para movimentar a droga. A organização utilizava aviões de pequeno porte, pilotos e pistas clandestinas para transportar os entorpecentes do Amazonas para outras regiões do país. Esse esquema aéreo permitia levar a droga a longas distâncias, driblando os controles habituais e ligando a Amazônia a outros pontos do território nacional.
A operação também teve um forte componente financeiro, voltado a atingir o dinheiro do grupo. Durante a ação, a Justiça determinou o bloqueio de quase 8 milhões de reais ligados aos investigados. A medida buscou asfixiar economicamente a organização, atingindo os recursos que sustentavam a estrutura montada para o transporte das drogas.
Além do bloqueio de valores, os agentes apreenderam bens de grande valor. Foram apreendidos 31 veículos, avaliados em cerca de 3 milhões de reais, que estariam ligados à atividade criminosa. O patrimônio recolhido dá uma ideia do volume de recursos movimentado pelo grupo e do porte da organização investigada pelas autoridades.
As apurações revelaram ainda uma movimentação financeira muito acima do que seria esperado. Segundo a investigação, pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados movimentaram valores superiores a 35 milhões de reais. Para as autoridades, essas quantias são incompatíveis com as atividades econômicas que os envolvidos declararam à Receita Federal, um forte indício de irregularidade.
Parte dessa estrutura estaria voltada para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico. Por decisão da Justiça, registros e centros comerciais ligados ao grupo foram fechados. De acordo com as investigações, esses empreendimentos eram utilizados para lavar o dinheiro proveniente do tráfico de drogas, transformando os lucros do crime em recursos aparentemente legítimos.
No campo operacional, a ação também mirou diretamente a infraestrutura usada para movimentar a droga. Os agentes destruíram duas pistas clandestinas da organização criminosa, que eram utilizadas para embarcar e desembarcar os entorpecentes no Amazonas. A inutilização dessas pistas atingiu um dos pontos centrais do esquema aéreo montado pela quadrilha para abastecer outras regiões do país.
