Uma diarista apontada como responsável pela morte de um casal de idosos em Belo Horizonte foi indiciada por duplo latrocínio, crime de roubo seguido de morte que pode levar a uma pena de até 60 anos de prisão. Segundo a investigação, Paola Cirino teria matado Cláudio e Maria Atala para roubar dinheiro e objetos de valor do casal, num caso que ganhou destaque na capital mineira pela frieza e pela sucessão de vítimas atribuídas à mesma suspeita.
As apurações revelaram um modo de agir que se repetia. De acordo com a polícia, antes de matar o casal a diarista já havia feito outras quatro vítimas, e o método consistia em dopar os moradores para, em seguida, subtrair objetos valiosos sem que percebessem de imediato o que estava acontecendo. Esse padrão ajudou os investigadores a ligar diferentes ocorrências a uma única autora e a dimensionar o alcance dos crimes.
No episódio que terminou em morte, algo teria fugido ao que a suspeita planejava. Segundo o relato da investigação, no dia em que Maria e Cláudio foram mortos, um deles teria acordado antes do previsto, contrariando o padrão em que as vítimas eram dopadas para não reagir, o que teria levado ao desfecho fatal dentro da própria residência do casal de idosos.
Novas imagens reforçaram o histórico atribuído à suspeita. De acordo com o material reunido pela investigação, câmeras registraram Paola Cirino roubando outro apartamento cinco dias antes do assassinato do casal Atala. Nas imagens, ela chega ao prédio e, no fim da tarde, deixa o local carregando duas sacolas cheias, num indício de que os crimes vinham se sucedendo em curto intervalo de tempo.
Entre as pessoas atingidas pela série de crimes, há quem ainda contabilize perdas. Uma das vítimas afirmou que não conseguiu recuperar as joias que foram levadas, exemplo do prejuízo material deixado pela suspeita ao longo das ações que, segundo a polícia, se espalharam por diferentes endereços antes de a investigação reunir as peças e chegar até a autora dos roubos.
A prisão ocorreu quando a suspeita tentava escapar. Conforme a investigação, no começo do mês a diarista foi presa em um hotel na região central de Minas Gerais, enquanto tentava fugir e se manter longe do alcance das autoridades. A captura permitiu o avanço das apurações e a reconstituição do conjunto de crimes que passaram a ser atribuídos a ela ao longo do inquérito.
Para os investigadores, o comportamento da suspeita chama a atenção. Segundo a avaliação da polícia, trata-se de uma pessoa audaciosa, que demonstraria satisfação ao praticar os roubos e agiria de forma reiterada. Com o indiciamento por duplo latrocínio, o caso segue agora para as etapas seguintes do processo, em que a Justiça vai analisar as provas reunidas e a responsabilidade pela morte do casal de idosos.
