As brasileiras Maxilene e Rejane estão presas na Venezuela há quase três anos. Na cadeia, elas podem usar o celular para falar com a família, mas dessa vez decidiram fazer uma ligação para denunciar o que classificam como uma prisão injusta, colocando o caso novamente sob os holofotes.
As duas mulheres trabalhavam como cozinheiras em um garimpo no estado de Bolívar quando foram detidas pela Guarda Nacional Bolivariana, em outubro de 2023. Segundo o relato, elas tinham pouco tempo no local de trabalho e ainda estavam se adaptando, quando foram retiradas do local e receberam a voz de prisão. Ambas alegam que o trabalho que faziam era legal.
Além delas, 14 garimpeiros também foram presos. Entre eles, 12 são brasileiros, muitos vindos do Nordeste e do Maranhão em busca de trabalho na extração de ouro. Pouco tempo depois da prisão, os homens gravaram um vídeo dentro da cadeia pedindo ajuda ao governo federal.
As acusações contra o grupo são pesadas. Eles respondem por tráfico ilícito de materiais estratégicos, associação para delinquir, contrabando agravado, manejo indevido de substâncias perigosas e exercício ilegal de mineração, um conjunto de crimes relacionados à extração de ouro na região.
A defesa dos brasileiros sustenta que a atividade era autorizada pela Corporação Venezuelana de Mineração. Segundo os advogados, os trabalhadores foram ao país para prestar serviço a empresas que, conforme a documentação, tinham autorização para exercer aquela atividade. Apesar de apresentar os documentos, a Justiça venezuelana não aceitou o pedido de liberdade.
Além da prisão que consideram injusta, os trabalhadores denunciam a situação precária dentro da cadeia, que colocaria em risco a saúde de todos. Um dos brasileiros chegou a conseguir liberdade condicional e deixou a Venezuela, mas, por isso, passou a ser considerado foragido pela Justiça do país.
O caso mobilizou as famílias, que se reuniram e protestaram, cobrando uma atuação mais firme das autoridades. Procurado, o Itamaraty afirmou ter conhecimento do caso e prestar assistência consular aos brasileiros detidos, além de estar em contato com as autoridades venezuelanas para garantir o andamento regular dos trâmites judiciais e o agendamento de novas visitas consulares.
