O empresário Oséias Gomes de Moraes, apontado como CEO de uma das grandes franquias do Brasil, tornou-se suspeito de encomendar a morte de José Clayton, um homem que trabalhava em sua empresa. Pela primeira vez, o empresário falou sobre o caso com uma equipe de reportagem e negou envolvimento, afirmando que não tem medo nem mesmo de ser preso, porque, segundo ele, a verdade está do seu lado.
A vítima, José Clayton, trabalhava na empresa havia mais de uma década e ocupava o cargo de diretor de expansão no momento em que foi morta. De acordo com a investigação, a polícia aponta que o empresário teria encomendado o crime contra o próprio funcionário.
No dia do crime, Clayton estava armado e chegou a reagir, entrando em luta corporal com os agressores. A vítima acabou perdendo a pistola, e um dos assassinos o executou com dois tiros na cabeça, antes de os homens fugirem em uma motocicleta. Antes de morrer, Clayton havia dito à mãe que, caso algo acontecesse com ele, ela não deveria apontar ninguém além de Oséias Gomes.
Oséias construiu um verdadeiro império empresarial. A companhia criada por ele começou pequena há 17 anos e hoje tem uma sede administrativa que ocupa quase um quarteirão inteiro em Ponta Grossa. No site, a empresa divulga 1.359 unidades franqueadas no Brasil e em outros quatro países, sendo eles Paraguai, Argentina, México e Angola, o que lhe confere grande influência política e econômica na região.
A investigação teve início logo após a morte de José Clayton e resultou na prisão em flagrante de um indivíduo identificado como o executor material do crime, ou seja, a pessoa que efetivamente atirou. Segundo a apuração, a intenção dos criminosos era forjar um latrocínio, isto é, um roubo seguido de morte, tanto que levaram o celular da vítima, mas acabaram cometendo uma série de erros.
Horas depois do crime, Dionis Rodrigues Raimundo foi flagrado por câmeras de segurança tentando esconder a arma de Clayton no centro de Ponta Grossa e, em seguida, exibindo a mesma pistola a moradores de rua. A guarda municipal chegou ao local e ele foi preso. Na delegacia, ele não assumiu o crime e ficou em silêncio ao ser questionado sobre a arma, mas no celular dele a polícia encontrou mensagens enviadas a um amigo que ajudaram a desvendar a trama.
No curso da investigação surgiu ainda outro personagem considerado importante, um falso pastor chamado Paulo. De acordo com as apurações, esse homem identificado como pastor Paulo teria ido à cidade de Ponta Grossa para conhecer o empresário e, posteriormente, teria sido levado à cidade outras vezes pelo próprio Oséias, elemento que passou a ser analisado pelos investigadores no esclarecimento do caso.
No desenrolar do processo, Dionis Raimundo, apontado como o executor do crime, foi condenado a 26 anos e está preso. Já Alex Alves da Silva, enteado de Paulo e dono das contas em que o dinheiro era depositado, e João da Gama Cesário foram apontados como intermediadores e aguardam o julgamento em liberdade. A polícia, segundo a apuração, não encontrou indícios de envolvimento de Kelly, a ex-mulher de Oséias, no crime.
Para o delegado responsável, os motivos do assassinato estariam ligados a desavenças entre Oséias e Clayton, e a chamada gota d'água teria sido a abertura de uma empresa de odontologia concorrente por Clayton em conjunto com a ex-mulher. A ligação de Oséias com o pastor Paulo é apontada pela polícia como o principal elo do empresário com o crime, já que, além de receber depósitos, Paulo teria recebido cerca de 80 mil reais e um carro avaliado em 300 mil reais financiado em nome do empresário, segundo o relato do próprio Oséias.
