A Polícia Civil deflagrou uma operação contra um esquema de apostas ilegais e lavagem de dinheiro, que tinha como objetivo dar aparência de licitude a recursos considerados espúrios. A ação mira um grupo acusado de divulgar e movimentar dinheiro para plataformas de apostas que funcionavam sem autorização no país.
Segundo a polícia, dez pessoas e oito empresas são alvos da investigação. O grupo seria responsável pela divulgação e pela movimentação financeira de plataformas de apostas sem autorização regulatória, uma estrutura que ligava a promoção nas redes ao fluxo do dinheiro por trás das operações.
O caráter ilegal do esquema tem várias camadas. Os jogos eram ilegais, as bets em que essas plataformas participavam não eram autorizadas, e as fintechs e instituições de pagamento utilizadas também não tinham autorização. Todo esse arranjo alimentava a suspeita de que o dinheiro movimentado precisava ser 'lavado' para circular.
As investigações apontam como principal responsável pelo esquema uma influenciadora conhecida em Sorriso, em Mato Grosso, pelo grande número de seguidores nas redes sociais. De acordo com a polícia, ela utilizava duas contas nas redes para divulgar plataformas de jogos de azar não autorizados no país.
A forma como a divulgação era feita reforça a acusação de estelionato. Em uma das publicações, ela apresentava aos seguidores uma plataforma que, segundo prometia, 'quadruplicava a banca' e permitia entrar com apenas cinco reais. Para as autoridades, ela se valia do próprio prestígio para ludibriar quem a acompanhava.
O volume financeiro chamou a atenção dos investigadores. As apurações indicam que valores expressivos foram movimentados ao longo do tempo sem a devida declaração, com indícios de que a origem estava nos jogos de azar. A polícia também investiga se empresas ligadas ao setor de beleza foram usadas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Como parte da operação, a Justiça adotou uma série de medidas cautelares. Foram recolhidos os passaportes de três investigados, para impedir que eventualmente deixem o país, além da obrigação de comparecimento mensal ao fórum e da proibição de acesso às redes sociais para os fins ilícitos, ou seja, para a divulgação de jogos de azar.
