A Polícia Federal deflagrou uma operação, batizada de Arena, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligado ao setor de apostas. Entre os alvos da ação estão a casa de apostas PixBet e o advogado Nelson Wilians. No decorrer da operação, a Polícia Federal bloqueou 1 bilhão e 77 milhões de reais em bens e contas bancárias dos investigados, além de reter os passaportes dos envolvidos.
Um dos momentos mais marcantes da ação foi a abordagem ao dono da PixBet. Em Campina Grande, no interior da Paraíba, policiais federais abordaram o empresário Ernildo Júnior de Farias Santos, apontado como dono da empresa. Durante a abordagem, o carro e o celular utilizados por ele foram apreendidos pelos agentes, no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Federal.
As buscas também alcançaram o patrimônio pessoal do empresário. No apartamento de Ernildo, os agentes recolheram carros de luxo e até um quadro atribuído a um renomado pintor. De acordo com as informações divulgadas, caso a autoria da obra seja confirmada, o quadro pode alcançar o valor de 500 mil reais, o que reforça o cenário de ostentação encontrado pelos investigadores.
Segundo a Polícia Federal, o esquema tinha uma estrutura montada para tirar o dinheiro das apostas do país. O dinheiro dos apostadores era remetido ao exterior por meio de empresas de compensação financeira. O destino final dos valores era uma empresa de fachada situada na ilha de Curaçao, no Mar do Caribe, considerada um paraíso fiscal, usada para dar destino aos recursos movimentados.
A etapa seguinte do esquema buscava dar aparência de legalidade ao dinheiro. De acordo com a investigação, os envolvidos emitiam notas fiscais falsas para justificar a entrada dos valores. Assim, o dinheiro voltava ao Brasil como se fosse pagamento por serviços prestados, uma forma de mascarar a real origem dos recursos e reintroduzi-los na economia formal sem levantar suspeitas.
Diante do que foi apurado, os investigados podem responder por crimes graves. De acordo com a Polícia Federal, eles podem ser responsabilizados por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional. O bloqueio bilionário de bens e contas e a retenção de passaportes indicam a dimensão do esquema e a preocupação em impedir a fuga dos suspeitos.
Um dos nomes de maior destaque na investigação é o do advogado Nelson Wilians, de 51 anos, que já foi alvo de outras duas operações policiais recentes. Segundo a revista Forbes, ele tem uma fortuna avaliada em mais de 1 bilhão de reais e é dono de um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do país. Nas redes sociais, onde reúne mais de 1 milhão de seguidores, exibe uma vida de luxo, e os investigadores suspeitam que todo esse glamour esconda um esquema criminoso.
