A polícia deflagrou uma operação contra uma quadrilha suspeita de integrar uma organização criminosa investigada por estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. No total, foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão contra o grupo. A investigação apura um esquema de grande porte, com transações suspeitas que podem chegar a 30 bilhões de reais.
O ponto de partida da apuração foi um caso especialmente grave. A investigação teve início depois que uma mulher de mais de 70 anos perdeu 37 milhões de reais em um golpe envolvendo uma falsa plataforma de investimentos. O prejuízo sofrido por uma única vítima ajuda a dimensionar a agressividade do esquema montado pelos criminosos e o nível de confiança que conseguiam obter das pessoas.
O método de convencimento se apoiava em um grupo de mensagens. A idosa fazia parte de um grupo no qual supostos especialistas davam orientações e sugestões de aplicações. Segundo a polícia, todos os dias eram enviadas centenas de mensagens com falsos comprovantes de pix, que mostravam supostos lucros obtidos, uma forma de convencer as vítimas a investirem cada vez mais na plataforma.
No caso da idosa que motivou a investigação, a exploração se estendeu por um longo período. Ela foi vítima da quadrilha durante seis meses e, ao longo desse tempo, chegou a fazer aportes elevados, incluindo uma única transferência que alcançou 3 milhões de reais. A continuidade dos depósitos mostra como o grupo mantinha a confiança das vítimas antes de bloquear o acesso ao dinheiro.
As investigações revelaram que o alcance do esquema ia muito além desse primeiro caso. A polícia identificou outras 140 possíveis vítimas ligadas à quadrilha. Entre elas, uma outra pessoa no Rio de Janeiro teve um prejuízo superior a 8 milhões de reais, o que reforça a dimensão nacional do golpe e o elevado volume de dinheiro movimentado pelos criminosos.
Para prender as vítimas ao esquema, a quadrilha recorria a um artifício. De acordo com a polícia, o grupo até devolvia pequenas quantias aos investidores, o que reforçava a aparência de que os ganhos eram reais. No entanto, quando os valores em jogo eram maiores, os criminosos criavam dificuldades para os saques, com a cobrança de taxas e impostos que impediam a retirada do dinheiro.
O rastreamento do dinheiro apontou para uma estrutura montada para dificultar a identificação dos valores. Segundo a apuração, os recursos caíam nas contas da organização criminosa, eram distribuídos para outras empresas e depois convertidos em criptomoedas. Entre os presos estão três donos de instituições financeiras que operavam essa conversão, num esquema cujas transações suspeitas somam 30 bilhões de reais.
