Uma operação foi deflagrada no Rio de Janeiro para desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro. Segundo as informações, o esquema contava com a participação de agentes públicos, o que dá ao caso uma dimensão que vai além do crime financeiro comum e alcança a esfera das instituições.
A ação foi de grande porte. De acordo com o balanço divulgado, estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, distribuídos por cinco municípios do estado. As diligências ocorrem em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital, o município do Rio de Janeiro, alcançando diferentes pontos ligados à suposta estrutura investigada.
Além das buscas, a Justiça determinou medidas para atingir o patrimônio do grupo. Foram estabelecidos o bloqueio de bens e valores e também a suspensão das atividades das empresas investigadas, em uma tentativa de interromper o funcionamento do esquema e preservar recursos que possam ter origem ilícita enquanto a apuração avança.
Os números ajudam a dimensionar o alcance do caso. De acordo com um relatório do COAF, o órgão responsável por identificar movimentações financeiras suspeitas, o grupo teria movimentado mais de R$ 7 bilhões ao longo dos últimos seis anos, um volume expressivo que reforça a suspeita de uma operação de lavagem de dinheiro em larga escala.
Diante do que foi apurado até aqui, os investigados poderão responder por uma série de crimes. Entre eles estão organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta e ilegal, além de outros delitos que ainda poderão ser identificados no decorrer das investigações, à medida que os documentos e os materiais apreendidos forem analisados.
Com o avanço da apuração, os nomes de alguns dos alvos vieram à tona, e eles reforçam a dimensão institucional do caso. Segundo as informações, a operação foi conduzida pela Polícia Federal, e entre os investigados estão o ex-secretário de Polícia Civil do estado, delegado Marcos Amin, e Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e pré-candidato ao Senado.
Um dos alvos acabou preso ainda durante a ação. De acordo com o relato, Márcio Canella foi preso em flagrante por posse de arma de uso restrito, depois que um fuzil foi encontrado no carro dele. Nos imóveis ligados a outros investigados, também foram apreendidos carros de luxo, joias e dinheiro, materiais que agora entram na apuração.
Ao todo, sete pessoas são investigadas no âmbito da operação. As defesas do ex-secretário de Polícia Civil, delegado Marcos Amin, e do ex-prefeito Márcio Canella ainda não haviam sido localizadas. A apuração segue em andamento, e novos desdobramentos podem surgir conforme o material recolhido é examinado pelos investigadores.
